Lorena A.
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
sister´s solitude.

saudade
é o nome que se deu a esse vazio impertinente
que jura que se tem.
mas quando vem de verdade
o dito homem perde
a consciência
e torna-se dominado por suas lembranças.
geralmente apegado às melhores
fazendo uso das ruins apenas quando a racionalidade impõe
impõe gestos valoriosos
impões atitudes menos medíocres.
não sei o que seria de nós se não fôssemos dela
filhos de uma absurda detenção
detenção do tempo
da moralidade dos dias.
a irmã da solidão não me trai
apenas traz a mim
o faz-de-conta do mundo.
Lorena A.
sábado, 16 de fevereiro de 2008
conjecturas.

e aqui estou novamente.
entre nuvens de vontade permaneço inerte,
sem uma prática aparência
de quem quer de verdade.
de fato, sei do que me cabes
sei também onde não nos cabe.
segue então longe de mim
a presente idéia do sim.
do enlaço mais forte.
esperançosa permaneço
pois diante de que todo fim
seja um começo,
e me sinto então
dona desse faz-de-conta de folhetim.
Lorena A.
frívolo.
amor é prosa, sexo é poesia.

[Isso: felicidade e medo, a sensação de tocar por instantes um mistério sempre movente, como um fotograma que pára um instante e logo se move na continuação do filme. Sempre senti isso em cada visão de mulheres que amei: um rosto se erguendo da areia da praia, uma mulher fingindo não me ver, mas vendo-me de costas num escritório no Rio... São momentos em que a "máquina da vida" parece explicar, como se fosse uma lembraça do futuro, como se eu me lembrasse ali do que iria viver.
Esses frêmitos de amor acontecem quando o "eu" cessa, por brevíssimos instantes, e deixamos o outro ser o que é em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de compaixão pelo nosso próprio desamparo, entrevisto no outro.]
arnaldo jabour.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
words.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
fatos.

poucos são aqueles que te vêem por piedade
que não percebem
essa intensa
permissividade.
considero-te profano então,
dentro da minha condição de tua freira.
de tua abadia.
há fatos que são relevantes
que valem a pena ir pro ar
que fazem parte do meu antes
do meu núcleo
do que há de mim
dentro do eu-você.
Lorena A.
ojos
fortes traços do eu,
transparecente animosidade.
zona erógena fluente.
seios de quem se lamenta
(chora)
nuca de quem clama
(afaga)
certos olhos me transmitem você
certos olhos te comem como minha boca
como o meu desejo.
mais do que meu próprio corpo,
eles falam
e calam-se por si.
Lorena A.
peleja.
Lorena A.
domingo, 10 de fevereiro de 2008
ansie.
que pensas tê-la sob controle
quando é ela que toma tuas rédeas
e te manipula
da forma mais cruel e bruta
sem mesmo te deixar brechas para enxergar
o que mais rápido ela quer te mostrar?
não consigo vê-la.
tem horas que se faz invisível
afônica e inodora.
como então te achar
se por entre tuas entranhas,
arte e manhas
está o meu mais livre
bem-penar?
desculpa,
mas não é só com você que isso acontece,
pois sobre esse peito inerte
a ansiedade
outras vezes veio assolar.
e a perfeição só existe na excitação.
o resto,
é conseqüência.
Lorena A.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
anjo.

então poderia chamar de anjo,
aquele que de fato
me resguardou.
chama-me anjo
pois em mim resguardei-te
em um néctar puro
e límpido de essência.
confortar-te-ei sempre
onde o mundo se renova
onde ele se esgota
onde ele é o próprio amor.
onde és a minh'alma.
Lorena A.
Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.
caixa-eu.

passei muito tempo depositando naquela caixa
as visões de uma noite adormecida.
impedida de viver a realidade
passei enclausurada anos
de triste e densa
vontade.
o que seria da dor se eu não existisse
o que seria do amor se a morte não o acabasse.
e o renovasse.
os dias do tempo em mim se vão
e destes não tenho mais noção.
mãos trêmulas refletem idéias novas
e retrógradas
do que um dia pensei em ser eu.
força é um artifício permanente
mas muito penoso
que em certas vezes
eu não consigo nele
me resguardar.
não quero mais perguntas
não quero mais sentimentos
não quero mais prazeres
não quero ganhos
não quero mais perdas.
zerei o meu jogo.
a dor fez de mim fortaleza
sequência de fatos
nobreza.
antagonismos
eu, paradoxo.
perceber então é fato.
viver é mesmo um só ato.
enfim,
eu nunca mais fui a mesma.
perdi
ganhei
venci.
Lorena A.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
e agora.
e o que fazer se depois de tudo
o doce calor dos teus lábios
ainda arde
nos meus?
o que fazer se depois do tempo corrido
da vida mudada
da vontade ter sido censurada
meu corpo ainda interceder o cérebro
e me dizer
que aquilo tudo ainda resiste
e lateja
feito a ferida deixada
o hematoma cruel
de um amor
da paixão negada por ti.
o que eu fazer
se o que você poderia
era conter o desejo de não resistir
dentro dessa tua consciência muda
eu fico nua
e te peço sempre
pra ficar
em mim.
Lorena A.
beautiful one

Beautiful One
Your hair shines in the sun
I wish I'd never left
The wind intwines our hair
Our words get swept through the air
I wish I never left
Your face shines in my eyes
Our last look before our goodbye
I wish I never left
Beautiful One
You shine like the sun
I wish I never left
Before I have said
You are the one
You are the one
Your sun will come and go
But its beauty will keep its glow
I wish your rays would shine over me
Keep filling me with your beauty
I wish I never left
I wish I never left...
[aqua de annique]
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Untitled.
Lorena A.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
ama[dor]
possibilidade?
uma retração de sentimentos que querem sair
que querem ser libertados
de alguma forma
de alguma liberdade
em alguma libertinagem.
promiscuidade
oscilação,
perdição.
quem disse que o tempo muda as pessoas está enganado
o meu tempo me faz invento
me faz ver tudo com olhos de formiga
olhos famintos por desejos escavocados
ambíguos, paralisados,
que dividem os meus sonhos.
memórias catalogadas de uma vida passada distante
que vem à tona cada vez que a vejo,
cada vez que a percebo
cada vez que a desejo.
Lorena A.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
do que sempre poderia vir a ser.

me esquece que eu não te culpo por ser assim
feito um tamborim
onde eu toco os meus mais surrados sambas.
ousa,
quem poderia assim feito tu
usar e abusar
de mim
descobrir o meu segredo,
o meu manejo,
o meu desespero
e dominar-me enfim?
absurdamente cansei
e casei com o absurdo
com o lúdico prenúncio
de qualquer coisa que chateia.
maneiras
de ser eu invento,
pois sou meu próprio brinquedo
e que é uma pena que nem todo mundo
saiba brincar...
o poder custa caro
o prazer de um errado
de não ser-te santa
em nenhuma hipótese.
e por fim, acabo com a tua angústia rouca
e começo uma leve minha culpa,
do que sempre poderia ser.
Lorena A.
Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.
amar.

vem, vem feito perversidade
que dá e vai embora
feito a felicidade
que em mim comemora.
me disseram que um dia
a insanidade viria
mas que tal é essa se
insana eu estive até agora?
normalidade fulgáz
curiosidade, rumor.
coisa que ninguém sabe descrever
coisas que penetram no meu ser.
submundo da lucidez
uma vaga lembrança
um talvez
de algo que se diz imundo
de algo que se diz meu mundo.
não falo pro que os outros vão pensar,
não quero doces nem um altar
quero mais é viajar
e desfrutar do amar,
do que nada pode me parar.
Lorena A.
Esta obra está licenciada sob uma
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afoguetada.

afoguetada é o que sou,
pelo menos foi assim que me defini diante
da atitude mais blasè do mundo.
mas vi que esse afoguetamento é tão súplico
tão sórdido que merecia um troféu
de inutilidade sentimental e momentânea.
não sei mais nem falar,
abstive-me das palavras diante
da coisa mais singela que eu senti.
desejar não é poder
desejar é ser.
e ser eu não quero mais.
não pertenço ao tempo nem ao jamais.
tudo é derivado de um lamento
de um porquê lá de trás.
e o cansaço é de outrora,
fará parte de toda a trajetória
e porque não fazê-lo ficar,
sendo que sem ele
nada irá funcionar?
bom, então o mundo é redondo
e as pessoas nele se encontram
mesmo sem querer elas se encontram
mas nele eu não quero me encontrar.
porque em ti eu estou,
porque em ti eu sou,
e pra isso, precisaria
te reecontrar.
moderninha.
o que tem de belo em mim
são as lindas unhas que eu fiz
e que mandei a mamãe do céu de oxum
pintarem de vermelho.
e diante do meu espelho
espero que os quilos que eu descobri
de ontem pra hoje que existem
desapareçam e cresçam
como o fermentado bolo de chocolate floresta-negra
devorado
na bunda que esqueceu de aparecer...
Lorena A.
Esta obra está licenciada sob uma
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domingo, 20 de janeiro de 2008
um amor.
ela
oblíqua
absorta
absurda
abismada
abre mundo.
apressada
apresentada
agoniada
agatada
apaixonada.
extrema
estrela
estirpe
engenhosa
esquema.
maliciosa
maldita
maluca
maligna.
princesa
perdida
perfume
poesia.
uma rosa
uma flor
um dizer,
e apenas sempre,
um amor.
Lorena A.
Esta obra está licenciada sob uma
domingo, 13 de janeiro de 2008
nua.

uma vaga doçura se esvai
inocência camuflada
poucas palavras dizem muitas ações.
permitia tudo que julga
ser doce em meio ao seu amargo
ser acre em meio ao júbilo.
denunciam os olhos
todo poder despreendido
toda glória de ser o que é.
toda alegria de sentir-se o prazer
de ser o próprio prazer.
o desfrute tem teu nome
que em meu silêncio resguardei
por medo de esvair-me
e não mais poder em tua tentação
cair.
não mais pecar por amar
não mais pecar por apaixonar
de forma abrupta
nociva
sendo mais do que uma única lua
sendo toda tua,
e nua.
Lorena A.
Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.
sábado, 12 de janeiro de 2008
a deusa e a puta.
e é assim que ele gosta de ser tratado
é assim que eu gosto que ele me trate.
o mal-tratado.
em busca de eteriedade fajuta,
de rebuscadas fontes de inspiração.
ação, paixão.
olhos revirando em certos momentos de angústia dolorida
doída,
prazerosa, de amor.
quero que seja assim mesmo
porque mais do que assim
é o que sou.
louca, louca e louca
pelo corpo que me hipnotiza
pelo cheiro que me enebria
pela boca que me parte ao meio
me faz em duas.
duas mulheres,
uma a deusa e a outra, a puta.
Lorena A.
Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.
domingo, 6 de janeiro de 2008
perversión.

Perversão é para poucos e bons.
[palavras de uma incompreendida]
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sábado, 5 de janeiro de 2008
contorno e retorno.
desci no aeroporto de são paulo com plena noção do que estava prestes a me acontecer: durante aqueles torturantes horas de escala, eu viveria uma desenfreante ansiedade, que me deixaria anestesiada; e , como se não bastasse, teria ainda que tomar a decisão que por tempos teimei em adiá-la.
Lorena A.
scraps.
And they drink another tears...
- a desjanela dela.
- agua de annique
- albert piauí.
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- amy.
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- garotas tatuadas.
- humana humana
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- lampião pobricitário
- mandalas.
- morrer de rir.
- olhares.
- Osho.
- over mundo
- paula taitelbaum
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- retalhos sem tempo
- teia de tea - unipaz - bsb.
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- Thyago & Chiara
- trimera casa de letras.
- Um pouco de zen.















