sábado, 22 de dezembro de 2007

lady chaterlley



"Pretendem que o mundo seja rico de possibilidades. Mas, na realidade, estas se reduzem a simples experiências pessoais. Bons peixes haverá no mar, opde ser, mas a grande massa é de sardinhas e arenques; e se não somos nenhum nem outro, é provável que encontremos poucos peixes no mar."



o amante de lady chatterley [D. H. Lawrence]

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

anyway...



desisti do tratamento de choque e resolvi ceder.

seria tarde demais diriam os mais pessimistas (ou realistas!?).

enfim, o fato de volta foi consumado.

a palpitação do peito voltou a ser presente e a ânsia, magnitude.

queria poder perdoar-me por pecar tanto assim.

mas como?


se a busca consistiu no que houve, no que foi feito, no que foi vivido?

seria impossível. eu não poderia.

a perfeição do dia, do lugar, o ambiente:

aquilo tudo dizia-me que havia valido a pena,
que o desejo tornava-se por realizar-se, e eu, por
me felicitar mais ainda.

mas não me dou por satisfeita [ainda].

o que será que anda faltando?


Lorena A.





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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

súplica



olha pra mim, meu amor, olha pra mim;
meus olhos andam doidos por te olhar!
cega-me com o brilho de teus olhos
que cega ando eu há muito por te amar.

o meu colo é arminho imaculado
duma brancura casta que entontece;
tua linda cabeça loira e bela
deita em meu colo, deita e adormece!

tenho um manto real de negras trevas
feito de fios brilhantes d´astros belos
pisa o manto real de negras trevas
faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!

os meus braços são brancos como o linho
quando os cerro de leve, docentemente...
oh! deixa-me prender-te e enlear-te
nessa cadeia assim eternamente!...

vem para mim, amor... ai não deprezes
a minha adoração de escrava louca!
só te peço que deixes exalar
meu último suspiro na tua boca!



[florbela espanca]

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

miedo



Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo en una sombra que el temor no esquiva
El miedo as una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
Medo circulando nas veias ou em rota de colisão
Medo é de deus ou do demo? É ordem ou é confusão?
O medo é medonho
O medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara, medo de encarar
Medo de calar a boca, medo de escutar
Medo de passar a perna, medo de cair
Medo de fazer de conta, medo de iludir

Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez
Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo que dá medo do medo que dá...

Medo que dá medo do medo que dá...

[lenine-miedo]

o medo que dá.
é o medo de amar.
não tenho medo de te não te ter.
o meu medo,
é de te amar.



domingo, 9 de dezembro de 2007

acaso.




feito o céu a alegria percorre

as veias que por dentro correm

em um sangue limpo e sem impurezas

dentro de uma vida

dentro de uma veia

que não tem tempo

tempo que a vida espreita.



agi assim por minha culpa

me perdi na tua nuvem

no teu mar de desagrado

um eterno e sempre

fracasso.



insisto em cair nos teus braços.

sem medo do percalço

andando por ai sem laço

voando

flutuando

deixando

por conta do acaso.





Lorena A.





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sábado, 8 de dezembro de 2007

dias de cinza, pensamentos bicolores.






misteriosa?

eu diria no máximo, coerente.

o que seria de todos nós, se simplesmente em nossas vidas não houvesse o artifício mais árduo e melodioso do ser humano. no campo dos sentidos, ele é o próprio poder de atração.


este, o que também detém a chave mestra que destrava certas carcaças. são eles que dão chama para que o outro desarme-se, prepare-se para soltar a flâmula branca.


é notório afirmar que mistério demais complica. se este acontece de alguma atitude de forma natural, conseqüente, "ocasional", intuitiva, comporta-se como o verdadeiro mistério.


agora, tratando-se de um artifício ocasional, uma carapuça utilizada em momentos convenientes, esta cai como uma máscara, tratando de deixar à mostra sempre a ferida aberta, o defeito de caráter, a falha da personalidade.




[...]

Lorena A.



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dias de cinza, pensamentos bicolores.


os sonhos vão pra gaveta. da-se início às prioridades. enfim, todos concordaram que deveria ser assim. e eu, mesmo conseguindo ou não teria de aceitar aquele desapego.
aquela antiga lição vinha à tona sempre que as rédeas fugiam do seu controle. E assim, ela via-se obrigada a entregar-se nas mão daquele que considerava um Deus.
e era sempre inútil não considerar a forte influência desta parte.
pois, como em todo e qualquer tipo de situação que passasse, a Este ela sempre recorre. E sempre alcança o que deseja. uma hora ou outra.
então, em algumas dessas várias horas que permanecia em um berço, inerte ao tempo, mergulhava em livros. todos os tipos que lhe era proporcionado, possibilitado. a leitura sempre era um refúgio lícito, cabível e fantástico. até quando se dava ao luxo de ler coisas que considerava de baixo escalão, refletia de algum modo o que aquilo poderia de alguma forma fazer sentido em sua vida. na maioria das vezes, não fazia sentido nenhum e lhe deixava um vazio que ela mal podia suportar.
escrevia por fim, algo que lhe viesse à tona, deixando escapar milhares de confissões nas entrelinhas. dando comida a milhares de leitores famintos e assíduos, curiosos então. deixando-os cada vez mais com sede de mistério.


[cont.]

Lorena A.



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quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

dias de cinza.





dias de cinza, peço perdão.

como vontade, ansiedade.

oportunidade senão

deixar a alma leve

fluir... reflexão.

dias iguais,

cenas que se repetem.

sentimento que invade,

corpo que falta na cama quente.

a amizade surpreende.

tudo o que um dia

pensou que não.



Lorena A.



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clausura



Fujo do claustro, do astro, do modo, do dormitório.
Desço no vaso, escorrego no tráfego,
Espero no máximo,
O tráfico.

Saúdo o dia, pela alegria, pela bendita pia,
Que pingou contínua.
Desde o sábado passado.

Dou presentes, dou sorrisos, dou bom dia,
Boa noite, boa sorte e até outra vida.

Sonho acordada, sonho noites, sonho dias, sonho em chopes.
Em vão, em nãos, em coração.

Lavo minhas vestes, seco meu suéter,
Viro-e-mexe,
Se avexe!
Fiquei assim:
Tetè-à-tetè.


Lorena A.




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a sombra do teu eu em mim.



teu momento, o acaso.

teu lar, qualquer espaço.

teu amor, um descaso.

sou o poeta que permitiu

a luz que de mim fugiu

e deu lugar à sombra.

o dia clareia o dia.

mas não clareia o vazio,

a sombra do teu eu em mim.




Lorena A.



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coração morimbundo.






sinto arfante caminho


bem sempre distante do ninho


rasgo dor de espinho


de rosa cálida,


teu vinho.




suor de choro, lágrimas


sempre ao redor, pálidas


mancha de tecido tímido


consola o voraz desejo íntimo




luz ofuscante lampejo


prova do nosso desejo


me perco em vez que te vejo




e percebo:


que o que era também já foi.


o motivo de dois


dois mundos


dois corações morimbundos.



Lorena A.



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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

interesse.




me interesso por teus assuntos

teus mundos

coisas imersas no meu estar.

te digo e não digo

tento dizer mas falta tato

falta algo

que eu não consigo explicar.

a criança permanece

mas o choro que entristece

engoli

junto com as lembranças tristes

de um passado que no meu presente

irá voltar.




Lorena A.






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em cada.






em cada dia virado


em casa noite esgotada


em cada gesto piedoso de outrora


em cada canto dessa cidade


me perco nas idéias loucas


na amnésia solta


dessas coisas que me atordoam


mas que não me deixam ao léu.


apenas gosto de me sentir no céu.

e sou o céu.


Lorena A.





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quinta-feira, 22 de novembro de 2007

spiraling.



spiraling into the center

the center of shield

I am the weaver

I am the woven one

I am the dreamer

I am the dream.



[minha humilde homenagem às irmãs pagãs.]

beyond?




os sentidos se confudem.
passou novamente por aquele lugar tão familiar.
o cheiro de pizza e de cerveja lhe remetem a um único dia.
mas não um dia perdido,
um dia de descobertas,
descobrimento de si mesma no outro.
tudo tão perfeito,
tudo tão lindo,
tudo tão místico.
o souvenir daquele dia ainda está guardado,
encaixotado com lembranças.
cogito e
desafio o destino e pergunto.
será além?



Lorena A.




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sábado, 17 de novembro de 2007

u spent so blissfully...



Nega You spent so blissfully

The last few days with me

Nega I spent so nicelly to

The last few days with you

When I meet you, it was so fine

I didn´t talk a lot to you

I only mentioned your smooth hair

You made your speech about shampoo

We took many many photographs

Down town

As we passed through

Nega You spent so blissfully

The last few days with me

Nega I spent so nicely too

The last few days with you

You've been going just where

I've gone

All my people you have seen

I've been doing just what you've done

Now I can dig your cup of mu tea

We let our moments become, become

What they really had to be

Nega You spent so blissfully

The last few days with me

Nega I spent so nicely too

The last few days with you

Develop our photographs

As simple dreams that will come true

Perhaps they will make you laugh

Or make you sure about we two

Develop, baby, our photographs

Perhaps they will make you sure

Perhaps they will show you nothing

Nothing, but a shade of blue...


[gil-1972]





wait untill tomorrow



Well, I'm standing here freezing, inside your golden garden

Got my ladder leaned up against your wall

Tonight's the night we planned to run away together

Come on dolly mae

There's no time to stall

But now you're telling me that ah...

I think we better wait till tomorrow

I think we better wait till tomorrow

I think we better wait till tomorrow


Got to make sure it's right

So until tomorrow goodnight

Oh, dolly mae

How can you hang me up this way

Oh the phone you said you wanted to run off with me today

Hearing strange words stutter from the mixed up mind of you

And you keep telling me that ah...


I think we better wait till tomorrow

I think we better wait till tomorrow

I think we better wait till tomorrow


Got to make sure it's right

So until tomorrow goodnight...

Oh, dolly mae

Girl, you must be insane

So unsure of yourself learning from your unsure window pane

Do I see a silhouette of somebody pointing somethingfrom a tree?

Click, bang

Oh, what a hang

Your daddy just shot poor me

And I hear you say

As I fade away

We don't have to wait till tomorrow

We don't have to wait till tomorrow

We don't have to wait till tomorrow


[jimmi hendrix]


Out.


quero você fora.

da minha vida, fora.

do meu pensamento, fora.

fora de tudo onde você possa entrar.

senti o que não devia.

colhi o que não plantei.

saí da minha anestesia.

mil livros de auto-ajuda comprei.

esqueci quem eu era.

sai de mim mesma,

pequei.

adormeci nos teus sonhos.

pouco proveito tirei.

cansei desse sonoro ditongo.

palavras soltas sem razão.

por mim peço perdão.

pelo nada sentir-me

humana

natural.


Lorena A.





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segunda-feira, 5 de novembro de 2007

anestesia.


como és boba, guria!
cabeça cheia de ilusões.
deixando de lado a verdadeira realidade.
prefere horas de solidão e devaneios.
por isso está sempre fazendo uso dos seus refúgios.
quer manter-se anestesiada.
[o mundo é amargo].
engraçado gostar da transparência.
das coisas como elas são.
sem máscaras.
e por isso,
muitos de seus sonhos se confundem.
e mais uma vez ela se perde dentro dos seus sentimentos...


Lorena A.




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quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Bras-Ilha.

minha chegada aqui não foi obra do acaso.
destino traçado,
cartas marcadas,
desígnos inesperados.
tuas luzes me encantaram logo de cara.
carros, ruas, luas...
teus ruídos, teus odores, tuas pessoas.
os sons, os sotaques, os milagres.
tuas cores, teus amores, tuas dores.
teus absurdos completos e imensos
complexos.
desiguais.
quem te vê assim
até pensa que aqui vives a muito tempo,
que vive remotamente
desde quando não se pensava em te ver aqui.
tua história é fascinante.
faz mais que me encantar
me embalsama...
e me faz querer perdurar
permitir
andar mais ainda por essas não-esquinas,
estes não-retornos,
estes não-posso-voltar-mais.
agrada-me por tua diversidade
tua diversa liberdade.
meu modo de falar
meu modo de sentir
meu modo de pensar
não serão mais os mesmos
adormeci aqui,
e pretendo não mais acordar.


Lorena A.


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scraps.


Trimera Casa de Letras.

Blogueiros do Piauí.