- Uma dose de ilusão, por favor.
Lorena A.
Entre poesias, mundos, flores e outras cositas más...
"Grande é a mente! A Altura do Céu é imensurável, mas a Mente vai além dele: as profundezas da Terra são também insondáveis, mas a Mente as sobrepassa. A velocidade da Luz não pode ser vencida, mas a Mente é mais veloz que ela. O Macrocosmo é infinito, mas a Mente vai além dele. Como é imenso o Espaço! Como é imensa a Energia Primordial! Apesar disso, a mente abrange o Espaço e gera a Energia Primária. Por causa dela (a Mente) o Céu cobre e a Terra sustenta. Por causa dela o Sol e a Lua se movem, as quatro estações ocorrem em sucessão e todas as coisas são geradas. Grande, na verdade, é a Mente!"
Muita luz entrava pela janela escancarada junto com o vento, obrigando as cortinas a sacudirem e o cabelo dela a balançar numa dança permanente, quase fazendo-a perder a paciência. Meio bobo talvez, diante daquele momento todo de atmosfera desenhada, que se fazia por realidade. Deixando por entre as cobertas da mente, uma terrível ameaça: tudo haveria por se concretizar e o sonho não sairia dali imune.
A fragilidade das coisas encaro com o silêncio. É feito a tristeza que não tem fim, irmã da felicidade finita, que dói choro, que dói pranto. Mas fazendo parte do todo da vida. E depois que tudo isso acontece, a mudança prevalece, sendo esperada ou não. Tudo se torna meio vago. Pesarosamente vago. Racionalismo nenhum é capaz de preencher esse "vago". Só o sentimento aqui entende.
E tanta intermintência me cansou. Me causou um inferno. O inferno astral que já passou e tudo aquilo que eu havia dito que ia fazer eu realmente fiz, mas alguma coisa me fez mal. Mal consegui digerir e ainda estou tentando. É tipo quando o tango toca e eu fico sem palavras. Apenas ouvindo. Sugerindo rumores preludiosos de uma vontade latente. Assim simplesmente. Sem meio termos ou coisas pela metade. Tão lúdico não? Tão lúcido então se faz na realidade. Embora sendo na verdade uma coisa de outrora, um absurdo não superado. Uma vontade de ser cubana, fumar charuto e andar pela praia. Vontade de fazer amor na praia. No chão de areia da exuberância. Na insistência do deixar-me ser carnal por alguns instantes. Sendo manipulada pela lua, pela rua, cheia de possibilidades estranhas. De pessoas entranhas, encravadas na minha doce ambiguidade humana. Na minha essência profana. De onde ainda não consegui desvencilhar-me. Só isso.
E em cada momento de desejo, eu aborto, eu aborto, eu aborto. O cheiro do cabelo já não te pertence mais somente por tua mão ter percorrido aquela outra perna. Teu olhar naquele momento já me fazia medo, e eu, me fiz rocha, tentando desarmar a tua armadura e deixar intacta a minha.
Tudo aquilo que parecia sonho, comprimido com aquele desejo cálido de existência terceira, vislumbrei como uma digna forma de viver. Mas que só se tornou digna diante dos meus olhos fechados na dormência.
Sou o próprio objeto do meu experimento. Viver pra mim é método científico da vida. O método inventado por mim, a forma mais peculiar que conheço, estilo de vida ou forma de viver a não ser a minha mesmo, que sai da minha vontade, desenhada em sonhos na minha cabeça, condizente com o sentido batendo dentro do coração meu. Paralelamente enfeitando o colo para assim perfeitamente executar seu trabalho profundo, da vontade restringida que me fez deixar as lágrimas que choro caírem no mundo fundo escuro do meio. Do meio da tua beleza explícita, que ofusca o brilho do amor próprio, mas sendo exuberante que é, casa-se com a minha. E brilha, brilha...Não sei exatamente o que ocorre, mas me sinto perto de uma Le Petit Morte. Ou melhor ainda, me sinto dentro dela, como uma burguesa desejada por seus subordinados extasiados diante da exuberante beleza.
Ardo.
Na tarde, no cedo, no em qualquer momento. A vontade e o domínio estão pulsando um dentro do outro e esse um dentro do outro está pulsando dentro de mim. Dentro de um quadro das estações, onde apenas consegui viver com você uns dias de verão.
Subitações, velocidade nos fatos. Intensidade nas paixões.
Que força-desejo é essa tão insanamente imensamente capaz de derrubar teus tabus, de te fazer viver no nu e no cru, na realidade insípida e encontrar em meio tudo isso uma selva de vontade, de prazer, de ser alegria e satisfação plena? Le petit morte. Talvez tenha achado a frase-chave da minha vida. Carpe Diem que me perdoe.

Na antiga tradição Lakota a causa primeva de tudo, o princípio primordial da criação era Wakan, o ventre da Mulher Búfalo. Reverenciado como o vazio cósmico, um receptáculo de infinitas possibilidades de criação, Wakan era descrito como um grande recipiente estrelado, contendo inúmeras centelhas de vida adormecidas, esperando serem ativadas para se integrarem à realidade terrena. O principio ativo e co-procriador era Skan, que, semelhante a um relâmpago cósmico, mergulhava no receptáculo sagrado e acordava as centelhas para a luz da existência.
Nas tradições nativas a mulher era a representante de Wakan na Terra, responsável pela continuação da vida humana, sendo um ser sagrado e por todos respeitado. Ela também tinha a missão de preservar e cuidar da paz e da harmonia dos relacionamentos, entre os membros do clã, com as outras tribos e com os reinos da criação. Eram as mulheres que criavam e cuidavam da complexa teia das atividades e relacionamentos humanos, evitando conflitos e divisões e ensinando como “caminhar suavemente sobre a terra”. Mesmo quando a chegada dos conquistadores europeus despertou a cobiça, rivalidade e violência entre as tribos, os Conselhos das Matriarcas dos clãs e das Avós se empenhavam para restabelecer a paz e relembrar a suprema lei da Criação: ”viver em harmonia com todos os seres do círculo da vida”. Competiam às avós as decisões finais por desfrutarem de muito respeito e honra pela sua sabedoria ancestral e experiência de vida. Desde uma tenra idade os meninos eram ensinados pelas mães a respeitar e vivenciar as qualidades femininas; eles viviam no meio das mulheres até os sete anos e aprendiam qualidades e artes femininas como gentileza, respeito, compaixão, cozinhar, costurar, plantar, colher, bem como manter as tradições e a harmonia, natural e humana. Quando passavam para o círculo dos homens aprendiam as atividades masculinas, mas jamais lhes era incutida a violência ou falta de respeito para com a Natureza, mulheres, crianças, idosos ou doentes. Um homem de respeito e autoridade era aquele que cuidava bem da sua família e da sua tribo, preservava os reinos da Criação e honrava as tradições e os ritos sagrados.
A mensagem que a Mulher Búfala Branca trouxe para o mundo contemporâneo é lembrar que todos nós humanos, independentemente de cor, origem, gênero ou situação social, fazemos parte da complexa teia da vida e somente vivendo com respeito, harmonia e paz, poderemos atravessar os períodos cruciais que nos aguardam. A lição da Mulher Búfalo Branco foi: ”viver em paz com todas as nossas relações” e “tudo o que fizermos à grande teia da criação faremos a nós mesmos, pois somos um só ser vivo”. A expressão ”todas as nossas relações” é usada para representar o círculo da vida a qual todos nós pertencemos, simbolizado pelo cachimbo sagrado. Seu bojo feito de argila vermelha representa a Terra, no seu interior está gravado um búfalo, significando todos os seres de quatro patas, e também a abundância da Terra que sustenta toda a vida. O cabo ou tubo do cachimbo, feito de madeira, simboliza tudo o que cresce sobre a terra. As doze penas que o enfeitam são de águia e descrevem as criaturas que voam, enquanto as conchas representam o reino aquático. Ao acender e fumar o cachimbo reunem-se os elementos (associados com as ervas, a chama e fumaça, as cinzas) e também todos os reinos da criação. A oração que acompanha o ato de fumar o cachimbo é direcionada em benefício de todos e do Todo e é o objetivo principal deste rito sagrado.
A Mulher Búfala Branca continua se comunicando conosco através das visões e mensagens recebidas por muitas mulheres contemporâneas. Um comovente testemunho é encontrado nesta linda canção, recebida em uma visão pela xamã, compositora e divulgadora dos antigos rituais sagrados, Brooke Medicine Eagle. Vamos refletir e colocar em prática estes atuais e necessários conselhos:
Buffalo Woman is calling. Will you answer Her?
She’s calling light, she’s calling peace
She’s calling spirit, she’s calling you
Buffalo Woman is calling. Will you answer Her?
I will answer Her. We will answer Her!
http://www.teiadethea.org/?q=node/53


blaming global infection
for the illness in him
Little knowdledge of the non-affection
between him and his
Oh, grey, bitter, anxious and collapsed.
Like a wallflower once blooming
withered to apparent death
Blaming the guilt
crying the tears
torture the pain
leaving the emptiness behind
apparently he had no reason
to harbour the trust
he´d forsaken the trust
that harboured within
walk, I cannot walk
for I am blind, blinded I am
by the pitch of dark, so dark is it
the narrow street, never ending narrow
silently I try
try to walk, blinded by the pitch
the narrow darkness, clogs the street
I am speechless
I am speechless
fears puts a rush on my steps
as I stare into the spinning depth
the end is not near the sight that I am hoping for
and all the light that paves the way for me
is the wish and will for the end to see
the bright light is the end of the black light district.
the gathering.
Creio que é muita pretensão definir-me diante da imensidão de mulheres que habitam o meu corpo carnal. Me vejo em quatro, cinco, dez, cem. Depende do momento. Sou almodoviana, freudiana, bocaggiana. Meio Clarice Lispector e e completamente Greta Garbo. Pagu poderá ter sido eu em numa encarnação passada. Depende do seu empenho em querer ver-me, ouvir-me, ou sentir-me. Depende do dia da lua, pois minhas funções se dão como ela em ciclos. Sou naturalmente uma deusa e prazerosamente humana. Sei que meu cheiro é bom e que minha voz pode ser suave. Amo as gentilezas mas nem sempre confio nos elogios. Prefiro qualquer espelho e a realidade mostrada nele. Preservo a solidez das amizades, mas também sou escrava da intensidade das paixões que podem ser de todos os tipos. Paixão pelo céu azul que vejo pela minha manhã clara e evidente. Ou por um beijo que certamente irá desmontar-me. Me vejo na beleza das coisas e na sinceridade das palavras. Tenho rompantes e posso pecar por isso. Amar é a minha determinação, o meu lema. A intensidade, meu sobrenome. Tenho como refúgio a maturidade. Nela me seguro e resguardo meus pensamentos. Deveriam ser assim com algumas ações, mas me encaixo na inquietude de ser evolucionista e sigo em frente. Não tenho medo das pessoas nem do que elas sejam. Tenho receio sim de más interpretações e pré julgamentos torpes. Tenho imaginação fértil. Nunca vou me permitir se não for isso que eu queira. Viajo sem sair do lugar, mantendo os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Aterrissando idéias estúpidas ou brilhantes.
Amity.
Quando abro a janela e vejo o sol despontando imagino a imensidão que há nesse mundo aí fora e conecto me mais ainda com a imensidão que há dentro de mim.
Entre o tingir teu céu de vermelho e correr atrás das minhas brisas corrompidas, eu prefiro a mim. Prefiro ser essa metamorfose ambulante. Humanísticamente derrotada por suas convicções autônomas. Sugeridas como mais do meras bússolas na busca do caminho a percorrer. O desapego me ocorre e me sinto até mais livre assim... Embora pareça distante. O sonho já mora aqui. Na minha mente.
Ofegantes passos dados à tarde. A sensação de peso. Amargura.
Doces ventos corrompidos. Cheios de uma rara beleza.
Numa imensidão perdida, meu âmago está. Envolto em liberdade contundente.
Tudo um porque dizer-te um talvez. Alegorias fajutas já não existem mais.
E cai à mascara da realidade.
Metamorfismos ecoam com júbilo àqueles que a mente permite uma transmutação sincera.
Algo relevante. Que se possa buscar com freqüência. Onde recorrem muitos mundos.
Muitos mundos meus ou seus. Coisas que ninguém sabe dizer.
O imposto é o sentir e eu carne-fraca da mente, não ousaria transgredir.
Não perco o poder de pedir perdão. Não nego o que poderia vir então.
Apenas prego o amor que não é em vão. Numa troca, sim ou não.
Lorena A.
Toda gíria é uma metáfora. Toda metáfora é poesia.
[Gilbert K. Chesterton - Escritor Inglês]