quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mais uma dose.

A loiraça entra no bar, senta no balcão e pede uma bebida.
- O que vai querer, moça? - interfere o garçom.
- Uma dose de ilusão, por favor.




Lorena A.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Koan

"O luar entranha-se nas profundezas do lago sem deixar marcas na água..."

quinta-feira, 6 de novembro de 2008



Vende-se desculpas esfarrapadas.

terça-feira, 4 de novembro de 2008



Tudo que vejo à frente do meu dia chama-se amor.

domingo, 2 de novembro de 2008

Propagação do Zen.

"Grande é a mente! A Altura do Céu é imensurável, mas a Mente vai além dele: as profundezas da Terra são também insondáveis, mas a Mente as sobrepassa. A velocidade da Luz não pode ser vencida, mas a Mente é mais veloz que ela. O Macrocosmo é infinito, mas a Mente vai além dele. Como é imenso o Espaço! Como é imensa a Energia Primordial! Apesar disso, a mente abrange o Espaço e gera a Energia Primária. Por causa dela (a Mente) o Céu cobre e a Terra sustenta. Por causa dela o Sol e a Lua se movem, as quatro estações ocorrem em sucessão e todas as coisas são geradas. Grande, na verdade, é a Mente!"

Propagação do Zen para a Proteção do País. Kozen Gokuku Ron.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Acento español.

Muita luz entrava pela janela escancarada junto com o vento, obrigando as cortinas a sacudirem e o cabelo dela a balançar numa dança permanente, quase fazendo-a perder a paciência. Meio bobo talvez, diante daquele momento todo de atmosfera desenhada, que se fazia por realidade. Deixando por entre as cobertas da mente, uma terrível ameaça: tudo haveria por se concretizar e o sonho não sairia dali imune.
Sabia que o desfecho era esse, pois tudo que se faz nessa encenação presente, diz respeito à tudo aquilo considerava seu.

Tímpanos sensíveis atentaram para o som que iniciara a ecoar pelo cômodo, cheio de sotaque espanhol, fazendo seu corpo e ancas corresponderem imediatamente à batida do ritmo. Música era o que ela era agora.

Meio bucólico aquele sorriso que lhe era entregue. Agradava-lhe porém a sua existência, pois era um sinal contundente do seu desejo sendo saciado.

Vestido vermelho e timidez ausente. Os cabelos ainda um pouco úmidos, revelavam o banho recente. Junto com o esmalte cálido e silencioso das unhas, pude constatar de que se tratava realmente de uma mulher verdadeiramente feminina, como uma lua concebida em ciclos, forte ao ter o poder de engravidar de si mesma, e despejar no mundo toda sua beleza e exuberância.

A roupa não era muita. Não haveria muito esforço então em tirá-la, considerando a minha ânsia e ímpeto, devidamente desejados anteriormente. Sendo assim, a facilidade de livrar-se de qualquer vestimenta rápido o suficiente era mais que considerável. Deveria cair de uma vez por todas e por fim, o fim ser consumido de forma rápida, intensa e extremamente prazerosa.

O vinho barato que entorpeciam os corpos daquela noite fora presente meu. As taças, já compradas a muito tempo atrás, simplesmente não enfeitavam mais as prateleiras daquela cozinha sem graça, hoje tiveram uma função especial. Tão especial que simplificavam tudo e eu percebi que elas realmente esperaram por tudo isso, esperaram por um não-triste-fim.



Lorena A.



O ladrão

deixou-a para trás -

A lua na janela.


Ryokan

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A fragilidade das coisas encaro com o silêncio. É feito a tristeza que não tem fim, irmã da felicidade finita, que dói choro, que dói pranto. Mas fazendo parte do todo da vida. E depois que tudo isso acontece, a mudança prevalece, sendo esperada ou não. Tudo se torna meio vago. Pesarosamente vago. Racionalismo nenhum é capaz de preencher esse "vago". Só o sentimento aqui entende.
A gente acostuma, pois a vida continua. Mas os brilhos continuam lá, junto com os sorrisos, esperando por uma única última chance de se fazerem percebidos. Outra vez.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008


ela pega a bolsa, ajeita a blusa e vai
vai correndo pela rua feito um trem
sem olhar para nada nem ninguém
sem freio vai entrando o atrito do ar
ela só pensa em alcançar aqueles braços
percorrer com a língua todos os seus traços
vai correndo porque quer penetrar em outra pele
falecer num gozo que a revele.



paula taitelbaum.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Disturbia.

E tanta intermintência me cansou. Me causou um inferno. O inferno astral que já passou e tudo aquilo que eu havia dito que ia fazer eu realmente fiz, mas alguma coisa me fez mal. Mal consegui digerir e ainda estou tentando. É tipo quando o tango toca e eu fico sem palavras. Apenas ouvindo. Sugerindo rumores preludiosos de uma vontade latente. Assim simplesmente. Sem meio termos ou coisas pela metade. Tão lúdico não? Tão lúcido então se faz na realidade. Embora sendo na verdade uma coisa de outrora, um absurdo não superado. Uma vontade de ser cubana, fumar charuto e andar pela praia. Vontade de fazer amor na praia. No chão de areia da exuberância. Na insistência do deixar-me ser carnal por alguns instantes. Sendo manipulada pela lua, pela rua, cheia de possibilidades estranhas. De pessoas entranhas, encravadas na minha doce ambiguidade humana. Na minha essência profana. De onde ainda não consegui desvencilhar-me. Só isso.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

haikai.


Manto negro no céu
Foco de luz ilumina
Ciclo fechado.




Lorena A.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

E em cada momento de desejo, eu aborto, eu aborto, eu aborto. O cheiro do cabelo já não te pertence mais somente por tua mão ter percorrido aquela outra perna. Teu olhar naquele momento já me fazia medo, e eu, me fiz rocha, tentando desarmar a tua armadura e deixar intacta a minha.
A minha retina te acusou. Os olhos, orifícios da razão (ou de ilusão?) te fez em pedaços. Vi mosaicos por todo o teu existir. E o que somente restou agora foram esses raios fortes caídos do céu, que cozinha a minha moleira e me deixa assim: vulnerável.
Dei tchau. Mesmo sem querer partir. E o assim está no foi e o nós no era...

sábado, 4 de outubro de 2008



Numa dádiva presente anterior, os pensamentos ecoavam-me como fardos, as pressões eram psicológicas e o calor inválido. Pensei que sair do frio seria como sair da frieza, encontrar aconchego é realmente bom, mas a alma inquieta se retorce, e a ambiguidade é múltipla.
É tudo muito grado. É tudo muito grato. As ressonâncias são autênticas e eu sei exatamente porque elas acontecem. Fardo? Não mais. Me serve de mola. Impulsionando os sonhos trazidos de uma existência anterior, outra dimensão, sendo que estes são exatamente projetados no futuro, na vivência posterior, no que ainda está por vir, no que está sempre vindo a ser.
Incrivelmente aceito esse desapego e usufruo de tudo que me concedes. De tudo uma coerência absurda. Materialmente essencial e contínua. Oportuna. Valiosa. Como que em cada canto ela estivesse lá. E eu, dentro dela.



A vida é uma sucessão de convites diários, válidos somente pra hoje.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

conecte seus desejos.



tudo ilusão.
tudo transita.

a dor do querer sim
é a dor do querer não.

ilusão.
tudo passa.
tudo transita.

desejos do ventre.
desejos em vão.

tudo passa.
tudo transita.

se a dor é do desejo
sem desejo não há dor

conecte seus desejos.







Lorena A.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

preceito budista.


Existem cinco preciosas oferendas que toda e qualquer pessoa pode dar.
Até aquelas mais miseráveis.

Um rosto pacífico.
Um pequeno e discreto sorriso.
Seus ouvidos.
Suas não especulações
(ouvir com o coração e falar com o coração procurando não julgar).

E seu lugar, cedendo para outra pessoa sentar.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

A qual era.



Quando vejo toda aquarela misturada por entre essas teus tons pastéis, e algo assim super parecido com as cores que brilham nos teus olhos me faz continuar a derreter porque é essa a minha função diante de tanta exuberância.


[é a arte.]



Lorena A.

haikai.



Chuva de ontem
Árvore molhada
O ninho é dos pássaros.






Lorena A.


quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Não queira.



As mulheres falam muito.

Eu não adio o meu silêncio.

Não queira saber nunca

O que de ti penso.






Lorena A.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Just living.

Tudo aquilo que parecia sonho, comprimido com aquele desejo cálido de existência terceira, vislumbrei como uma digna forma de viver. Mas que só se tornou digna diante dos meus olhos fechados na dormência.


Cinzas, concretos e fumaça expeli esses dias. Nada demais, não me preocupo mais. Vão pros pulmões, mas não pros meus.

O turbilhão passa e a vazão da momentaneidade fica serena, tranquila... quase parada. Não vejo nisso necessariamente algo que seja dolorido, ou difícil de ser vivido, mas adormeço e permito que tudo não passe de acontecimentos.

Apenas sendo vida.
Apenas vivendo.










Lorena A.

EmCanto.



Canto triste
Triste canto
Tanto canto
Quanto triste
Tanto triste
Quanto insano

Tanto insano
Insano triste
Quanto canto
Triste e insano

Insano e triste
Triste insano!
Tanto sonha
O triste canto
Com um verso
Imenso
E triste.




Lorena A.

sábado, 13 de setembro de 2008

Apenas um tombo [na realidade].


E por enquanto eu carrego o mundo nas minhas costas, mas não peço pra que ninguém divida comigo, porque é insustentável a leveza deste meu ser.
Dentro daquela forma sagaz, existiu sempre uma outra personalidade intrusa, que se faz presente todas as vezes que o meu brilho chama, aquele mesmo brilho enturmecido, o inútil e delatador brilho sem fundamento, sem questionamento também e muito menos realidade. A realidade está dentro da caixola. E está numa dessas manhãs frias e secas, quando deixei cair dentro da desjanela dela, suando frio com esse sufoco atmosférico. Caiu do primeiro andar, não quebrou a coluna. Mas mudou até de cidade.

O que um tombo [de realidade] não faz com a pessoa.

ABENSONHADAS!





Lorena A.

domingo, 7 de setembro de 2008

on biguidades.





Umbigo
ambíguo.

Umbigo
amigo.






Lorena A.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Vozes no metrô.

Sou o próprio objeto do meu experimento. Viver pra mim é método científico da vida. O método inventado por mim, a forma mais peculiar que conheço, estilo de vida ou forma de viver a não ser a minha mesmo, que sai da minha vontade, desenhada em sonhos na minha cabeça, condizente com o sentido batendo dentro do coração meu. Paralelamente enfeitando o colo para assim perfeitamente executar seu trabalho profundo, da vontade restringida que me fez deixar as lágrimas que choro caírem no mundo fundo escuro do meio. Do meio da tua beleza explícita, que ofusca o brilho do amor próprio, mas sendo exuberante que é, casa-se com a minha. E brilha, brilha...

observatório.



encaro regras amargas como amarras
e bigornas
emaranhadas em meus pés,
assim são.
tipo do tipo do ir e voltar;
gosto de intermitência.
temo a impermanência clandestina.

ondas no vento: pensamento.

algo sujo de um dizer.
ser ou estar.

vácuo silêncio dominador,
é onde mora minh´alma.
devaneio, provindo de outrora vida.

eu já li algo sobre
eu já escrevi algo sobre
sobre... sobremesa...
sobre... soberba.

no dom da criação de mundos estranhos.
entre almas-entranhas,
pontadas de desejo,
latejo humano, turbilhão.

custo desta idade perene padrão.
motivo de um corpo preparado,
claustro.

pergunto: o que nos falta, então?





lorena a.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Lusco-fusco.


E o lusco-fusco da tardinha
se faz presente
ardentemente.
Tornando-me assim
seu único propósito.
De ser-me [n]o fim
exuberante [à] mente.



Lorena A.

domingo, 24 de agosto de 2008

Seductiva.



Tanta intermitência me cansa. Assim que me vejo em pedaços, se instaura um caos e eu só sou capaz de refletir uma outra realidade.
Mas é assim onde não cabe aquilo do pensamento. Sendo que o sorriso é sempre pelas palavras. E o choro, pela ação.

Agora que ele cresceu, posso fazer gestos mais sedutores, mais fêmea. "Saída" do agora é pra caçar outros machos. Na incrível lei da selva pela sobrevivência. Alguém no supermercado? Ou uma traição na academia? Tanto faz: o que te importa é o que permite. E não o que suas segundas intenções sempre impõem.


Lorena A.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

[Drinkmytears]zando.



E rompe-se a fraude. [Drinkmytears]zou-se demais. Hora de voltar à superfície.




Lorena A.

domingo, 17 de agosto de 2008

reescrever-te


Eu queria mesmo era poder sangrar como as rosas que caíram do alto, exalando perfume, desmanchando-se em pétalas, em vontade, ardendo em desejos, desmascarando vontades, sendo absoluta, sendo eu mesma.

Atrás da cortina de emoções, se esconde a verdade subliminar de todos os homens. A página em branco que um dia viu o rabiscado da vida, o amassado do mundo, a vontade de deslizar por entre sonhos e poder brincar [re]escrevendo cada porquê da vida quando se têm vontade.

Eu posso ser assim. Mesmo sendo o mundo atribulado em mim, desisti das regras e hoje permaneço na crise de identidade da dúvida: a certeza, no amor.

Mas quando o sopro de anjo me surgiu, surgiu junto com ele a vontade de reescrever-te, sobre a nova anguladura frágil do meu ser. com as tintas da minha possível segurança da alma, onde o medo faz uma base e eu, me disponho a admiti-la não mais como a nuvem de dúvidas. Mas sim como o poema que nasce por entre tuas mãos.

Calo.



Calo-me então por esses dias
Pra cair na escuta do coração
Pra fazer a leitura da alma
E pra poder enfim...

Pra cair no meio do moinho.






Lorena A.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Le Petit Morte.


E só de pensar em cada centímetro-pele desse teu corpo ardente cheiroso que me dá ânsia, me dá coragem de pertencer a alguma seita; de acertar um desafeto, de permanecer intacto, de caminhar até a lua, de amar profunda-mente.

Não sei exatamente o que ocorre, mas me sinto perto de uma Le Petit Morte. Ou melhor ainda, me sinto dentro dela, como uma burguesa desejada por seus subordinados extasiados diante da exuberante beleza.

Ardo.

Na tarde, no cedo, no em qualquer momento. A vontade e o domínio estão pulsando um dentro do outro e esse um dentro do outro está pulsando dentro de mim. Dentro de um quadro das estações, onde apenas consegui viver com você uns dias de verão.

Subitações, velocidade nos fatos. Intensidade nas paixões.

Que força-desejo é essa tão insanamente imensamente capaz de derrubar teus tabus, de te fazer viver no nu e no cru, na realidade insípida e encontrar em meio tudo isso uma selva de vontade, de prazer, de ser alegria e satisfação plena? Le petit morte. Talvez tenha achado a frase-chave da minha vida. Carpe Diem que me perdoe.





Lorena A.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Mulher Búfula Branca.


Muito tempo atrás, a tribo nativa norte-americana Lakota (ou Sioux) vivia de forma simples, caçando búfalos nas campinas para sua sobrevivência. Um dia, dois jovens índios saíram a caminhar, atentos a qualquer movimento, quando vislumbraram no horizonte algo se movendo com rapidez. Chegando mais perto viram que era uma linda mulher, envolta por uma luz brilhante. Os jovens tinham índoles diferentes: um deles apenas apreciou a beleza da mulher, mas o outro dela se aproximou, com intenções de violentá-la. A mulher abriu seus braços e cobriu o conquistador com seu xale, ambos ficando dentro de uma névoa. Quando a neblina se dissipou, o outro jovem viu com espanto, saindo do xale da mulher o esqueleto do seu companheiro, que logo se transformou em poeira soprada pelo vento. Comovido, o jovem se ajoelhou perante a misteriosa mulher e pediu-lhe que fosse com ele para ensinar à sua tribo os mistérios da vida e da morte. Ela concordou e pediu que preparassem uma grande tenda onde toda a tribo pudesse se reunir. Lá a mulher mostrou um cachimbo feito de argila vermelha com um longo cabo de madeira, e pediu que este cachimbo fosse usado em ritos sagrados para lembrar e honrar a ligação dos seres humanos com todas as outras formas de vida, além de reverenciar a Mãe Terra, pois cada passo que fosse dado sobre seu solo seria como uma oração. Após estes ensinamentos a mulher se afastou e foi se transformando lentamente em uma vitela de búfalo branco. Foi por isso que esta misteriosa mestra foi denominada Mulher Búfala Branco, detentora do cachimbo sagrado e de seus mistérios.

Na antiga tradição Lakota a causa primeva de tudo, o princípio primordial da criação era Wakan, o ventre da Mulher Búfalo. Reverenciado como o vazio cósmico, um receptáculo de infinitas possibilidades de criação, Wakan era descrito como um grande recipiente estrelado, contendo inúmeras centelhas de vida adormecidas, esperando serem ativadas para se integrarem à realidade terrena. O principio ativo e co-procriador era Skan, que, semelhante a um relâmpago cósmico, mergulhava no receptáculo sagrado e acordava as centelhas para a luz da existência.

Nas tradições nativas a mulher era a representante de Wakan na Terra, responsável pela continuação da vida humana, sendo um ser sagrado e por todos respeitado. Ela também tinha a missão de preservar e cuidar da paz e da harmonia dos relacionamentos, entre os membros do clã, com as outras tribos e com os reinos da criação. Eram as mulheres que criavam e cuidavam da complexa teia das atividades e relacionamentos humanos, evitando conflitos e divisões e ensinando como “caminhar suavemente sobre a terra”. Mesmo quando a chegada dos conquistadores europeus despertou a cobiça, rivalidade e violência entre as tribos, os Conselhos das Matriarcas dos clãs e das Avós se empenhavam para restabelecer a paz e relembrar a suprema lei da Criação: ”viver em harmonia com todos os seres do círculo da vida”. Competiam às avós as decisões finais por desfrutarem de muito respeito e honra pela sua sabedoria ancestral e experiência de vida. Desde uma tenra idade os meninos eram ensinados pelas mães a respeitar e vivenciar as qualidades femininas; eles viviam no meio das mulheres até os sete anos e aprendiam qualidades e artes femininas como gentileza, respeito, compaixão, cozinhar, costurar, plantar, colher, bem como manter as tradições e a harmonia, natural e humana. Quando passavam para o círculo dos homens aprendiam as atividades masculinas, mas jamais lhes era incutida a violência ou falta de respeito para com a Natureza, mulheres, crianças, idosos ou doentes. Um homem de respeito e autoridade era aquele que cuidava bem da sua família e da sua tribo, preservava os reinos da Criação e honrava as tradições e os ritos sagrados.

A mensagem que a Mulher Búfala Branca trouxe para o mundo contemporâneo é lembrar que todos nós humanos, independentemente de cor, origem, gênero ou situação social, fazemos parte da complexa teia da vida e somente vivendo com respeito, harmonia e paz, poderemos atravessar os períodos cruciais que nos aguardam. A lição da Mulher Búfalo Branco foi: ”viver em paz com todas as nossas relações” e “tudo o que fizermos à grande teia da criação faremos a nós mesmos, pois somos um só ser vivo”. A expressão ”todas as nossas relações” é usada para representar o círculo da vida a qual todos nós pertencemos, simbolizado pelo cachimbo sagrado. Seu bojo feito de argila vermelha representa a Terra, no seu interior está gravado um búfalo, significando todos os seres de quatro patas, e também a abundância da Terra que sustenta toda a vida. O cabo ou tubo do cachimbo, feito de madeira, simboliza tudo o que cresce sobre a terra. As doze penas que o enfeitam são de águia e descrevem as criaturas que voam, enquanto as conchas representam o reino aquático. Ao acender e fumar o cachimbo reunem-se os elementos (associados com as ervas, a chama e fumaça, as cinzas) e também todos os reinos da criação. A oração que acompanha o ato de fumar o cachimbo é direcionada em benefício de todos e do Todo e é o objetivo principal deste rito sagrado.

A Mulher Búfala Branca continua se comunicando conosco através das visões e mensagens recebidas por muitas mulheres contemporâneas. Um comovente testemunho é encontrado nesta linda canção, recebida em uma visão pela xamã, compositora e divulgadora dos antigos rituais sagrados, Brooke Medicine Eagle. Vamos refletir e colocar em prática estes atuais e necessários conselhos:

Buffalo Woman is calling. Will you answer Her?
She’s calling light, she’s calling peace
She’s calling spirit, she’s calling you
Buffalo Woman is calling. Will you answer Her?
I will answer Her. We will answer Her!



http://www.teiadethea.org/?q=node/53

sábado, 2 de agosto de 2008

cotidianismos.


Tem dias em que a lua se inverte assim mesmo e me causa uma certa tontura. Vertigem das coisas. Vejo as coisas cotidianísticas sem nenhum pudor ou poder acorrentado. Nesses momentos, jorram questionamentos sem fundamento. Coisas que poderiam ser evitadas e eu perderia menos tempo pensando. Planejando, programando. Mantendo a mente trabalhando por coisas que se concebe no futuro e nos faz esquecer por pouco do presente brilhante a que pertencemos.
É, acho que é isso.
Mas te digo também: não sou tola. Peco porque peco porque sou essencialmente fartamente descaradamente e enfadadamente humana. Coisinha simples de se compreender por isso que eu não compreendo nunca. Minha fase é na complicação, naquilo que me faz raciocinar, por vezes sem uma determinada serventia, mas por medo de viver no vão.
Pronto então!
Era só o que faltavam: as palavras.
Palavras, sim, mas certezas não. Pra que dizê-las então? Usa tua magia? Apenas porque tens a boca tão carnuda quanto à minha e a força do teu pensamento me faz chegar até você. Até tuas pernas e teus pés gelados, aos quais meu calor é compatível e eu consigo esquentar.
Corpos gelados pedem sangue quente.
Palavras de adeus pedem momentos de chegada, e eu peço e peco por ti.
Por vezes querer tuas maneiras dentro das minhas e com isso poder contemplar as estrelas. E dentre isso tudo, sentir na pele um toque de redenção.



The tears that I cry, they washed my eyes for that I see better you .




Lorena A.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

learning to love.

Sou tudo o que o vento levou,
sendo o que um dia já foi
e o que já não é mais o agora.

Faço parte do curso destemido,
da pressa sem sentido
e da solidão companhia.

Facilidade pra perdoar
Necessidade de visualizar
Um horizonte.

Aonde?
Aquele horizonte
azul, ali...!

Caio no buraco do mundo
Num abismo profundo
Onde deuses vão me buscar

E em asas de borboleta
Me ergo
Sendo eu, o desapego

Perdendo o chão,
Ganhando o céu,
Mas aprendendo a amar.






Lorena A.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Menu.




Prato do dia:


Feliz à beça.


sopro.



dia de hoje
que viveu no ontem
mora no amanhã.

saudade
não tem idade
não tem cidade

ansiedade
nem tempo
nem lugar


tem apenas oco
sopro no coração.







lorena a.

todo dia.



e quando o
dia é dia
de saudade
tem o nome
de todo dia.






lorena a.

domingo, 27 de julho de 2008

In arrow.




O cupido
Uma flecha atirou-me
O que fazer
Matar-te
Ou morrer-me?





Lorena A.

Enjoy.


Rompo a teia das horas,
pois diversão maior não me é oferecida.

Ardo.

Lábios vermelhos,
unhas vemelhas,
alma transparente.

Coisinha à tôa que
não se encontra em qualquer lugar.

Disparate!

A cerca viva ainda está sendo aparada,
mas eu já encontrei meu lar.

Ou melhor,
ele encontrou-me.

E nele é aonde irei morar.

Caso com o acaso,
com a sorte,
com as coincidências
e o vão.

Com o tudo que já não pode ter mais fim.
Ou tem um fim.

O fim do lado avesso,
um adormeço
amarelo-quindin.

Naquele onde moram sonhos rudes
e as flores-de-sonhos.

ENJOY IT!

Minha alma grita.







Lorena A.

sábado, 26 de julho de 2008

black light district.



blaming global infection
for the illness in him
Little knowdledge of the non-affection
between him and his

Oh, grey, bitter, anxious and collapsed.
Like a wallflower once blooming
withered to apparent death

Blaming the guilt
crying the tears
torture the pain
leaving the emptiness behind

apparently he had no reason
to harbour the trust
he´d forsaken the trust
that harboured within

walk, I cannot walk
for I am blind, blinded I am
by the pitch of dark, so dark is it
the narrow street, never ending narrow

silently I try
try to walk, blinded by the pitch
the narrow darkness, clogs the street
I am speechless
I am speechless

fears puts a rush on my steps
as I stare into the spinning depth
the end is not near the sight that I am hoping for
and all the light that paves the way for me
is the wish and will for the end to see

the bright light is the end of the black light district.


the gathering.

ante-sala



esse tempo me enlouquece no hoje
e me faz triste assim.
é o mesmo onde
o silêncio que habita
no ontem
que morreu em mim
na ante-sala do fim.



lorena a.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

in moments!



instante
ante o presente
é o passado foi
um futuro que
deixou de ser
o que era
dentro do
tempo confuso
é mudo
nefasto,
perpendicular.
me boto
me borro
me assombro
que sufoco!
um choro que em
detalhes a pele
esquece
sem saber.
revive,
lembrança,
criança colhida
no passado
essência de aço
mormaço
da vida na cabeça
em frame.


lorena a.




segunda-feira, 21 de julho de 2008

Auto definição.[Pode?]

Creio que é muita pretensão definir-me diante da imensidão de mulheres que habitam o meu corpo carnal. Me vejo em quatro, cinco, dez, cem. Depende do momento. Sou almodoviana, freudiana, bocaggiana. Meio Clarice Lispector e e completamente Greta Garbo. Pagu poderá ter sido eu em numa encarnação passada. Depende do seu empenho em querer ver-me, ouvir-me, ou sentir-me. Depende do dia da lua, pois minhas funções se dão como ela em ciclos. Sou naturalmente uma deusa e prazerosamente humana. Sei que meu cheiro é bom e que minha voz pode ser suave. Amo as gentilezas mas nem sempre confio nos elogios. Prefiro qualquer espelho e a realidade mostrada nele. Preservo a solidez das amizades, mas também sou escrava da intensidade das paixões que podem ser de todos os tipos. Paixão pelo céu azul que vejo pela minha manhã clara e evidente. Ou por um beijo que certamente irá desmontar-me. Me vejo na beleza das coisas e na sinceridade das palavras. Tenho rompantes e posso pecar por isso. Amar é a minha determinação, o meu lema. A intensidade, meu sobrenome. Tenho como refúgio a maturidade. Nela me seguro e resguardo meus pensamentos. Deveriam ser assim com algumas ações, mas me encaixo na inquietude de ser evolucionista e sigo em frente. Não tenho medo das pessoas nem do que elas sejam. Tenho receio sim de más interpretações e pré julgamentos torpes. Tenho imaginação fértil. Nunca vou me permitir se não for isso que eu queira. Viajo sem sair do lugar, mantendo os pés no chão e a cabeça nas nuvens. Aterrissando idéias estúpidas ou brilhantes.
Escrevo quando estou insana, escrevo quando estou serena. Escrevo o que vejo e o que não sinto. Escrevo também o que vejo os outros sentirem. Escrevo o hoje, o amanhã e o até mais tarde. Escrevo por amor, escrevo por ócio, pra parir e rir! Escrevo porque gosto. Escrevo pra conquistar. Mas nem sempre faço questão de ser entendida.
Possuo um lado que mora na intuição, que constrói defesas e me ajuda a acertar. Moro no meio termo, assim paradoxalmente. Os extremos me atraem, mas são-me raros. Posso tanto querer caminhar entre as estrelas como tomar banho de mar e isso tudo no mesmo dia ou no mesmo lugar. Preservo um mundo da lua onde só se predomina o amor. Sendo eu deste, sua serva. Minhas asas de liberdade moram na incrível jornada de decifrar-me. Não gasto empenho em descobrir os mistérios do mundo, mas em desfrutar dos meus próprios.
Quase um puzzle. Nível difícil.
Balança perseverante. Exposição de sorrisos. Sendo o ar que alimenta o fogo, recebe oxigênio da terra, está contido na água e é parte do meu espírito.




Lorena A.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Amity.

Amity.

E aquelas noites onde eu adormeço sem perceber, caem-me como uma luva, como um pedido de perdão, como a partida chegada e a felicidade que existe nesses momentos. Porque quando se trata com um insone, a felicidade poderia ser conceituada como um bom sono. Em cada dia adormecido, em cada sonho atormentado, em cada nuvem de fogo que passa pela minha cabeça, sempre encontro os efervercentes que me ajudam a discernir qual o melhor rumo do caminho tomar. Uns sempre meio sérios, outros nem tanto. Alguns que nem preciso abrir a boca e pois o sorriso já adorna a nitidez do desejo. Daquele desejo de felicidade. De fazer você acordar com um bom dia e ler em suas entrelinhas um belo eu te amo. Mas aquele eu te amo despudorado, que não vai terminar na cama ou que tem segundas, terceiras ou décimas intenções. Apenas aqueles que escutam as mesmas músicas que você e deliram. Ou aqueles que detestam o que você ouve, critica o que você lê, mas mesmo assim te oferece ombro, braços e abraços quando a necessidade impõe. Aqueles que nas amargas horas te adoçam a vida com palavras de carinho e amor.



Este post é dedicado a importância de todos aqueles que elegi como amigos na minha caminhada.
Amo incondicionalmente todos vocês.
E aos que não estão próximos fisicamente, todos as energias cósmicas me perpetuam até perto de vocês. Com minh´alma.



Lorena A.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Liberdade.


Acabei gritando porque era inevitável. Menos mal que o dizer não foi vomitado, como era de costume fazer até um determinado tempo lá atrás. É assim quando não se consegue viver em poesia, a alma se faz presa e dança entre os prelúdios originados em batalha incessante na busca pela libertação. Libertação. Liberação. Liberdade. Libertinagem. Livre. Tudo numa questão de mudança de sufixo, pois o radical aqui se mantém o mesmo. Mesmo quando este não se agrega a nenhum desses e permanece isolado. Por isso que eu sempre digo que a amplitude da alma mora na liberdade. Não nessa que você julga, prega saber fazer uso dela. Não dessa que permite que seus discursos sejam aplaudidos e imitados. A demarcação da imoralidade não me compete mais pois a mim uma outra função foi designada: a de tornar-me livre[em]mente.

Se não consegues enxergar minhas asas com teus olhos, fura-os!
Pois estes não servirão para que enxergues minh´alma.





Lorena A.

Alvorada.

Quando abro a janela e vejo o sol despontando imagino a imensidão que há nesse mundo aí fora e conecto me mais ainda com a imensidão que há dentro de mim.
Por isso que fico calada. Em cada minuto de observação é momento de contemplação e magnitude; de deslumbre e é por isso que eu evito te dar qualquer palavra. Porque qualquer uma diante disso pode parecer torpe.
Como diria um amigo Blake, a energia é a eterna delícia!
Agora que a vida andou, não posso parar. Finjo que dormi pois pode parecer estranho. Uma pessoa que não dorme não pode ter desejos [in]sanos. Mas olheiras entregam esse ouro que tento esconder pelo menos agora de manhã. Pelo menos agora quando sei que esse frio vai esquentar e meu corpo continuará sozinho, na permanência cálida da espera. Na incessante idéia de que o diminutivo dará vazão à amplidão... À amargura de ter-te do meu lado. E mesmo assim recusar-me te deixar dentro de mim.





Lorena A.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Nuvem.



Nuvem vaidosa
Pra se despedir do sol
Se vestiu de rosa.


Setsuko Geni Oyakawa.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

In my mind.

Entre o tingir teu céu de vermelho e correr atrás das minhas brisas corrompidas, eu prefiro a mim. Prefiro ser essa metamorfose ambulante. Humanísticamente derrotada por suas convicções autônomas. Sugeridas como mais do meras bússolas na busca do caminho a percorrer. O desapego me ocorre e me sinto até mais livre assim... Embora pareça distante. O sonho já mora aqui. Na minha mente.






lorena a.

domingo, 6 de julho de 2008

Asas no exílio de um corpo.



Ofegantes passos dados à tarde. A sensação de peso. Amargura.

Doces ventos corrompidos. Cheios de uma rara beleza.

Numa imensidão perdida, meu âmago está. Envolto em liberdade contundente.

Tudo um porque dizer-te um talvez. Alegorias fajutas já não existem mais.

E cai à mascara da realidade.

Metamorfismos ecoam com júbilo àqueles que a mente permite uma transmutação sincera.

Algo relevante. Que se possa buscar com freqüência. Onde recorrem muitos mundos.

Muitos mundos meus ou seus. Coisas que ninguém sabe dizer.

O imposto é o sentir e eu carne-fraca da mente, não ousaria transgredir.

Não perco o poder de pedir perdão. Não nego o que poderia vir então.

Apenas prego o amor que não é em vão. Numa troca, sim ou não.





Lorena A.

Tarde de Lua.

À tarde
Se fez ardente.
Presente.





Lorena A.

Primavera.


Primavera

Até a cadeira

Olha pela janela.





Alice Ruiz.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Sendo.

A verdade não consiste num fato isolado. Consiste em, digamos, na gota d´agua, no desencadeamento de conseqüências. Coisas que viviam no prestes a acontecer e aconteceram. Assim... causa e efeito. Freud explica, Einstein confirma e eu, bem... eu continuo sendo a mesma.



Lorena A.

scraps.


Trimera Casa de Letras.

Blogueiros do Piauí.