domingo, 3 de maio de 2009

love is a game[insert coin].

Não é necessário que eu me contente com os tons de cinza pois o que desejo é bem mais colorido e diversificado. O rastro do teu ser me persegue, parece que pintou nos olhos algo que não consegui definir, a cor talvez que eu tanto desejei encontrar, mas que ao contrário de se ver, se esconde. Algo calado ainda permance falando. Mas não assim de hora em hora, ou quando alguém sugere algum assunto. Só quando a escuta da fala é feita pra dentro, o avesso, no inconsciente que se projeta pro mesmo dentro e bate, bate no peito, e eu escuto. Feito canção descompassada, um riso altivo, algo sem graça. Uma ópera de coisas doloridas e másculas, guardadas em uma caixa de transe, cheio de glitter do céu e ventanias do mundo. Preciso usar óculos escuros quando te ver. O brilho é muito, inútil e delatador. Muita saudade é o que estou sentindo.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

suffice it

E nada do que eu havia dito tinha muita necessidade. O valor imensurável da experiência pessoal precisava ser visto, ouvido e digerido. Pelo menos alguém ouviu e interpretou bem, entendeu o que eu disse e interagiu comigo. Me deu conselhos e força. Me fez ver em frente. Só me resta seguir.

Às vezes as cores me fogem feito nuvens entre os dedos; a pele, fica menos encorajada, perde o sabor e ganha o medo. A boca fica levemente branca e as pernas, trêmulas. O coração palpitante em ânsia. Muita ânsia. De todos os tipos: de vômito, de âmago, de saudade, de solitude, de solidão.

Como gritar com um eco mudo, o supra sumo, às vezes interpretável embora completamente compreensível? O bastar-se em si mesmo é isso. Sem mais delongas ou reverberações contraditórias, é. Tudo processo. E o objeto processual? Eu. Alguns chamariam intuição, sexto sentido, premonição. Não me chateio nem nada pois o beyond deles anda escondido. Será que somente eu enxergo? Será que somente eu não vivo essa cegueira generalizada? Uma certa paralisia talvez, mas a cegueira não me cabe. Certamente não ando sozinha por esse caminho onde se precisa ver o que se está além. Vivendo o momento presente, fazendo de si mesmo, a mais incrível e verdadeira obra-prima.

Dói. O processo é dolorido. A dor faz parte do sofrimento e o sofrimento faz parte da declaração do universo ao mundo, da mudança, da simples e imensa evolução. Aonde ela está? Aonde ela estaria? Dentro de algum lugar que se fechou, mas que se retorce em vontade de se abrir, que pensa que acabou, mas no deep sobrou alguma coisa de mim e de você lá; ou daquelas pessoas com quem convivi ontem.

Sabedoria em versos de quem não sabe nada.

Não me faço tapete pra que me pisem, mas pra que possam voar todas as noites no estranho manto de glitter no céu. Não entrego o coração pra que o menosprezem, mas para que façam dele um catalizador. Uma arma transbordante de energia imbatível, impenetrável, indestrutível. Não costumo virar as costas pra nada. Às vezes acontece. É importante. Dizer não também faz parte.

Entre muitos momentos não sabia o que dizer, mas o fazia, pois amava o desnecessário. Meus olhos eram cegos, e assim haviam de ser; pois ainda não sabia enxergar a verdadeira beleza. Algo me golpeava a alma, algo parecido com febre ou asas perdidas num caminho. E assim, hoje me faço só, parada a decifrar essa transcendência.

The sublime logic leads to absolute telepathy.

E como o susto de primeiro passo, assim senti: o vago, um sem corpo, que por uma dor que nunca cessa, abriu-me de súbito. “Um céu debrulhado e aberto, planetas, plantações palpitantes, a sombra perfurada, atravessada por flechas, fogo e flores. A noite agasalhadora:o universo. E eu,um mínimo ser, ébrio do vazio enorme constelado, à semelhança, à imagem do mistério, senti-me parte pura desse abismo, girei com as estrelas, meu coração se desatou no vento”…


Today I don´t scream “rescue me” more.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Amores I: Terusa.

[... ]onde está o amor morto?
O amor em que lugar vai morrer?
Pelos celeiros remotos, ao pé das rosas que já estão mortas
soterradas sobre sete pés de cinza daquelas casas pobres
levadas por um incêndio na aldeia?
Oh, amor
da primeira luz da manhã,
do meio-dia tenaz e suas lanças,
amor como todo o céu
gota a gota
quando a noite atravessa pelo mundo
em seu total navio,
Oh, amor
de solidão adolescente,
Oh, grande violeta derramada
com aroma e sereno frescor cheio de estrelas
sobre o rosto:
aqueles beijos que subiam a pele,
enramando-se e mordendo
desde esses puros corpos estendidos
até a pedra azul dessa nave noturna.

Terusa de olhos grandes
para a Lua ou Sol de inverno,
quando as províncias recebem a dor e a traição
do esquecimento imenso e tu brilhas,

Terusa,
como cristal queimado do Topázio
como a queimadura do cravo
como o metal que estala no relâmpago
e para os lábios da noite transmigra.[...]



Pablo Neruda.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

cabeça-tronco-sexo-coração.

Acordo. Abro os olhos devagarzinho, não me mexo enquanto posso. Fico na mesma posição. Aos poucos espreguiço-me, mexo cada músculo lentamente, como uma dança, um ritual de bem estar físico.

Não penso em nada. Não consigo lembrar de nada. Nem da noite passada. Quieta. Estiquei-me um pouco mais, encontrei um outro corpo. Não sei exatamente aonde nesse corpo toquei. Aparentemente não se incomodou. Não se mexeu. Eu queria que se mexesse, uma forma de impor a minha presença acabada de desadormecer. Fiquei quieta alguns instantes.

Segundos. Na transição entre o sono e a realidade, senti um toque. Armadilha. Aquele corpo sentira o meu toque. Armadilha. E dava respostas. Armadilha. E pedia respostas. Armadilha. E eu sem saber o que fazer. Redenção.

Me contorci um pouco e consegui me esquivar, mas loucamente à vontade de responder aos estímulos alheios. Me contive. Mente racional, mente co[m]edida. Isso durou mais alguns segundos, pois o corpo já se postava atrás do meu, imitando minha posição. Encaixando-se.

Embora tensa e cheia de tecidos entre aqueles dois seres quentes, havia um certo prazer meu naquilo. Uns cheiros típicos humanos do acordar. Uma não necessidade de abrir os olhos e a imensa vontade de mantê-los fechados.

I´ve got all my life to leave. I´ve got all my love to give.

Então. Essa luta de poderes mentais e instintivos certamente teria um fim, e, naquela manhã deslumbrante de chuva que caía por trás da janela; eu mesma teria que ser a bandeira. Seja a branca, seja a negra.

Voavam junto com lençóis e travesseiros, pudores, medos e medidas. O que restava agora eram apenas reverberações não escritas e não ouvidas, parimentos de estímulos anteriores.

As mãos se entreçavam pelos corpos como se houvessem olhos em cada ponta dos vinte dedos das mãos. E ouvidos nos dos pés. Cada círculo de pele era minunciosamente percorrido por instintos, a ponto de não permitir que nenhum território conhecido antes ou não pudesse passar despercebido.

Era a força do amor que deixava que cada gota de existência fosse se esvaindo… se esvaindo e depois fosse trazida de volta por saudades sem um destinatário. Um momento na vida de qualquer trapo humano, qualquer um que se configure cabeça-tronco-sexo-coração.




Lorena A.

segunda-feira, 20 de abril de 2009



"Virgem e puta.
Cipestre que ri.
Cosquinha no céu da boca."







Dalton Trevisa
n.

sábado, 18 de abril de 2009

A rosa desfolhada.


Tento compor o nosso amor
Dentro da tua ausência
Toda a loucura, todo o martírio
De uma paixão imensa
Teu toca-discos, nosso retrato
Um tempo descuidado

Tudo pisado, tudo partido
Tudo no chão jogado
E em cada canto
Teu desencanto
Tua melancolia
Teu triste vulto desesperado
Ante o que eu te dizia
E logo o espanto e logo o insulto
O amor dilacerado
E logo o pranto ante a agonia
Do fato consumado

Silenciosa
Ficou a rosa
No chão despetalada
Que eu com meus dedos tentei a medo
Reconstruir do nada:
O teu perfume, teus doces pêlos
A tua pele amada
Tudo desfeito, tudo perdido
A rosa desfolhada



Vinicius de Moraes.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

The finest m[a]n.



I´m girl of family, baby!

Don´t try to buy me with those eyes.
What in your life doesn´t reach,
My feet look for stubbornness.
Me and my
endless desire to smoke.
My detachment
disappearing ...


"After all this years of ploughing through the weeds
I have turned wise and grey
With every fibre in me
I have lived to see you grow to be
The finest m[a]n...
"

by T.G.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Star way to heaven...

Àquele que me escreve
E que lê os meus textos,
Vos digo:
Que é de alma que dança
Que é de dente que sorri
Sendo mesmo um coração que mente
Que anda
Na direção contrária
Onde talvez queira me perder.
Sem falsas rimas ou
Pobres rimas!
Sem devanios fortuitos
Ou apenas o desejo de ouvir a tua voz.
O que vem é ritmado
Um galope mal-amado

Uma amizade não resolvida
Um dizer malogrado
Jardins sem flores,
Sem amassos...
É a tal ausência que me pertuba
Algo sobre não ter mais
Aquela mistura perfeita
Ou a mão nos cabelos cortados de três em três.
Não sei
Porque quem dizem são os astrólogos,
Não sou eu.
Que esse amor está nascido
Star way to heaven.







Lorena A.

Beyond...

A gente brinca de ser feliz sugerindo sonhos, desejando encontrar a perfeição em alguma esquina de nuvens. Isso me soa clássico quando o que se quer quando se é humano seja exatamente isso. De alguma forma eu sou parte disso. Não fico necessariamente adormecida ou dormente por as coisas se desenvolverem assim pois não desejo exatamente o óbvio. As confusões, os impasses, os remanescentes de algo que ainda está para se descobrir ou aparecer, tem mais a ver com alguma coisa dentro de mim do que aquilo que os meus antecedentes acham. Alguns me mandam pensar, mas aí eu digo: pra quê pensar se ultimamente não tenho tido nenhum pensamento bom?
Por conta disso, descobri o que a palavra choque significava desde muito cedo. As contradições, os buracos não preenchidos durante uma infância médio conturbada e uma adolescência completamente fora do normal são coisas que necessariamente durante bastante tempo me soaram familiares.
Por conta disso e um monte de outras coisas emaranhadas em um nó que se chama eu, tive a chance de ver um mundo não obviamente claro, mas algo que estava além dele... o meu eterno beyond.
Tem muitos pássaros voando ao redor de mim agora. Deve ser o porquê dessa angustiante vontade de voar.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Murmúria.


Quero descansar os olhos em uma boca quente
E muda
Entre múltiplas mãos
Sentir os cabelos sendo amarrotados
Emaranhando sentimentos
Cheiros e cachos.

Viajando a cada doce instante improviso
Eu permito
Que o seu dia se torne menos cálido
E mais claro
Iguais aos meus
Quando é de retina minha que se faz a tua
Glória
Em alguma história
Que se fez contar.

Deixar que cada canto transpareça
E apeteça
O sentido do caos comum
Dentro de dois
Mundos ou corações.

Pra isso faço uma prece
Um lance qualquer
Mas as vestes que te diziam alguma coisa
Não existem mais
E entregaram o meu eu,
Inteira.





Lorena A.

Mi corazón.

Atravessei o túnel. E isso era tudo. Parecia que não teria fim, que a luz nunca chegaria a ser detectada por minhas retinas. Doce ilusão! O amargor é passageiro, assim como o tudo. Aquelas histórias também são passageiras, assim mesmo como o que você me falou hoje junto com todos aqueles poemas mostrados no meu livro e junto com aquele que você não conseguiu mostrar, pois o calor da hora era sólido.
Não tenho mais medo, porém. Mas já tive. Um medo que ainda ecoa um pouco no meu pensamento, junto com a falta das juras e dos acertos. Mas no mais, não tenho mais medo. Depois que se aprende a cair no abismo, é onde você encontra segurança e quer de novo. E de novo e de novo e de novo. [loop]
Ir pegar o Rio Amazonas com a mão deve ser lindo assim como pegadas de dinossauro. Tudo lindo, tudo novo, tudo nosso. Não menos digno que seja assim, pois tudo é sonho e não menos realidade. Tudo é profundo e vago.
Às vezes preciso que as lágrimas derramem um pouco de mim em você pra lembrar que ainda sou humana. Que ainda sou algo parecido com o que se diz ser gente, e que por isso sinto something about humans. Mas nada que traga nenhuma sordidez. Pois agora ficou tudo claro.



[Me identifico muito mais com esse seu mundo desconhecido, do que com esse que habita o ser dentro de mim. Enfim, busquei um jazz, e entregaram-me um tango... Salve-o, salve-o en mi corazón!]






Lorena A.

segunda-feira, 23 de março de 2009

toque de Midas.

Não é por ser assim que o mundo tem que parar. Não é por doer em mim que alguém tem que chorar. Não é por um céu azul brilhar que minha doce história assim, tem que acabar. Mais do que felicidade plena o que busco é o inaudível som. A claridade cor que me aperta, que me enxerga, que faz qualquer momento perdurar. Por entre molduras hi-tech e retrôs. Por entres laços, desacatos. Por entre sonhos de vanguarda, pulmões arrancados, dedos cortados espalhados pelo mundo...

Pedaços de mim. O que chamo de tempo é tempestade. É chuva de amor no fim.




Lorena A.

terça-feira, 10 de março de 2009

I belive in angels.



Sobretudo quando aquilo se torna possível
é uma magia muito clara
àquela que me corre às veias
à vontade superior.

O saber do que se passa dentro de si mesmo é
ao mesmo tempo saudade
e ao mesmo tempo... a vastidão do nada.
Do não querer nada em troca
A não ser a vontade contínua de ser o mesmo,
a mesma transição de sempre.

Por isso quando vejo o chamado
a suave voz da segurança;
quando ela até mim vêm
e eu danço...
Sinto me viva!
Sinto viva em mim a esperança
Que por vezes culmina
e se despedaça.
Mas arde como fogo em brasa
deixando mais evidente
deixando mais contudente
a necessidade de seguir
na imensidão.









Lorena A.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Primavera-Verão.



E calo-me entre as rosas desvanecidas
Porque delas é o silêncio dos amantes,
Das almas esquecidas
E da tristeza eloqüente.
Inerte.

Fecho-me no transe
Transparecente
Assim feito o rio que não deságua no mar,
Não mais.
Nada a derramar.

O horizonte é distante!
Demais é talvez sem pensar.
Desnutrindo outros lados
Abortando aqueles sins...
Desfazendo aqueles nãos...

Enfim!

Bonito é o dia
E eu não sei nada ao certo.
Voam em mim pensamentos
Como brisas terrenas, marítimas...

Ama[r]ítimica.

Não vale morrer em verso
Inconsequentemente.

Refugio-me no banho
Em cores, no branco
No bálsamo
No brotar do meu jardim.

Se de todas as estações
Delas saí ileso,
O que esperar senão a ti?










Lorena A.

terça-feira, 3 de março de 2009

La dernière robe.

Abriu o armário. Assim o desejava, e o tinha: organizado, com cada peça que falava um pouco sobre ela e, automaticamente, sobre alguns momentos de sua vida. Tudo tão inóspito que lhe inspirava o amor. A certeza de sentimentos bem vividos, tudo com a leveza da arte, das cores... Dos sentimentos.Tudo começara como uma mera brincadeira. Quisera fazer desse ritual cotidianístico – o ato universal de vestir-se - um conto sobressalente. Algo que induzisse a idealismos e deixasse seu lado lúdico transparecer. Brincara com o uso dos vestidos, permitindo que cada um deles doasse junto com seu corpo, um pouco de sua alma.Na primeira tentativa, o vestido foi o longo, presente, imponente. Mesmo achando-se pequena demais pra usar algo tão lânguido, ofereceu seu corpo e ganhou elogios, com tonalidade e voz daquele que sempre esperara.Na vez seguinte, a beleza encurtara para perto dos joelhos, denunciando assim uma porção maior do que seriam suas coxas, marcadas por intensas nuances contrastando e realçando a cor da sua pele.A ambigüidade tomara conta da terceira vestimenta, tomando de conta também dos corpos que "dela" aproximavam-lhe (ou adentravam-lhe)... Fazendo tudo isso parecer um termômetro daquilo que se passava na realidade. E de fato seria um termômetro. E havia de subir às alturas. Porém, a cada novo encontro, a cada nova pessoa, já pressentia certo desprezo - ou seria desespero? - pela situação que estava prestes a viver, mas consentia sua atenção, sua ação e tudo que poderia vir de si mesma.Durante todo o processo, entregava-se como se nunca houvesse despossuído alguém. Como se fizesse solta, dentro da mais profunda e verdadeira liberdade. Uma dispersãozinha às vezes como num sonho, mas nada que a não fizesse voltar à realidade. Muito belo. O que julgava agora era que havia um ciclo a se fechar, e querendo mais (ou não), esperava ansiosamente transformar-se em mártir ou julgadora de suas próprias ações. Despretensiosamente aguardando pelo final. Sendo ele qual fosse.Se havia sexo ou não, pouco a importava. O que valia era o fechar das cortinas a ao final de tudo: a sensação de que cada um dos encontros possuía o desfecho como o de um verdadeiro espetáculo, sentindo e ouvindo aplausos, massagens em seu vasto ego. Depois de alguns encontros e diversos vestidos, sentia-se novamente entediada. Mas não saberia explicar se era por conta do figurino, sempre o mesmo; e que no final era o que menos importava, ou simplesmente porque se achava indigna de corromper-se com a rotina e queria derrotá-la, fazendo isso obra do seu dia-a-dia. E, ao mesmo tempo, tornando-se o verdadeiro supra-sumo da contradição. Depois de tomada a coragem, resolvera que a cor do grand finale seria o negro. Não utilizado anteriormente, pois o havia guardado para o provável e iminente fim. Cor indiferente e impostora. Hostil e acolhedora. Era perfeita para ocasião. O modelo, de acordo com as suas emoções. Nem muito curto, nem muito sufocado. Transmitiam sensação de conforto e sensualidade. Exatamente como se passava no turbilhão de dentro. Por fim, o demais das horas...



Lorena A.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Mundo




Ando navegando em ânsia. No mar de vontade. Tudo anda tão confuso que nem sei dar conta se o mar está na calmaria ou a pleno vapor. Ou plenos ventos. Ventania, ser-vento.

Normal, eu sou assim. Normalmente como velhos insanos, transparecendo toda a ambiguidade rouca, nociva e permissiva. Aos olhos do mundo e de quem lhe parece, prometendo sonhos sujos e profundos. Como o buraco-vazio dentro de um mim.

Suspiro.

É de praxe que certas anguladuras se configurem assim, porque eu sempre configuro. Ouço, testo, presto, amo à toda. Sem fazer ode a nada ou ao simplesmente. Um ausente, um caos, um nada. Uma trôpega indiferença que eu encontrei pelo caminho. Mas nada que não se passe por cima. Como escolher um mundo pra mim: eu quero todos!





Lorena A.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Soturna.



O mundo pode não parecer doce nem amargo nem escuro. E pode não boicotar a linguagem desnuda desses sinais padrão. Sinais de paixão, obviedades. Por O iluminado ser um iluminado, sua Luz já chegou até mim. Então, termino tudo, fecho a cortina, faço juz. Mas não concordo plenamente. Escrevi pro descaso dormente em mim poder passar. Se errei fazendo poesia ou não... desmaio! Ofereço minutos da dicotomia áspera deste meu presente-âmago.




Lorena A.

Haimi.



My flavor is.............................you.

Concrete Through.


Eu pensei que fosse ser mais relevante, levando em consideração todo o aprendizado de atrás. Os tecidos, as nuvens, os escritos, tudo isso faz parte do presente, é o próprio presente. Vez ou outra, a gente pode até ganhar algumas feridas de leve, outras mais profundas e difíceis de cicatrizar - mas que cicatrizam sim - tudo fazendo parte de um todo que tem horas que eu penso que é só brincadeira.
Tudo tem gosto de céu. Nunca mais o féu foi derramado na língua. Apenas frutos de favos. Coisas que sinceramente, pra saber; só sentindo o gosto.
Penso na cidade remota, que remonta o meu feliz passado. As lições tiradas, principalmente. A autoridade que a gora tenho em falar disso ou daquilo, o que me foi dado, presenteado e até mesmo imposto. Tudo isso eu trouxe de lá pra cá, e penso que levarei a qualquer canto que vá, a cada casa que aportar; tudo isso já é meu.
Mas nada é para sempre e eu ainda tenho a possibilidade de escrever algo mais poético nas entrelinhas deste texto, porque desde que eu nasci, tentei parir alguma coisa legal, algo que elevasse a minha alma (ou seria o meu ego?) e me fizesse menos dada. Sei não, mas é cada poesia torta, que quase torna tudo equilibrado. Dose pra leão.





Lorena A.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Reverberando indiossincrasias.


Reverbero estas simples indiossincrasias como quem necessita transpor todo o léxico metáforico e brutal que existe e resiste dentro de mim. Os dias calados são apenas as conformidades do ego. A necessidade múltipla de adentramento íntimo, um mergulho enorme no si mesmo e depois a espera por toda uma digestão de fatos e principalmente pensamentos enfim.
Assim, assimilo tudo com muita calma, mesmo quando o exterior me pede velociodade, me pede insanidade e eu nem fico mais pasma diante disso. Entendo tudo o que o todo quer dizer e por isso mesmo ando na linha do resgate de mim mesma sempre. Os motivos são claros. E mais ainda seguros.
Fico com um pouco de receio por receber tantas mensagens assim. De lá e de cá, deles e de mim. É gostoso ser inconstante, é necessário ser constante. Já faz parte de mim. Um certo caos que conserta, uma vontade que desperta e me faz profundamente conectada, e feliz.
O que uma barba esconde, a pele ousa falar. O mínimo é máximo e eu acabo por me sentir mártir. Sem dúvida é o que todos querem no fim das contas. É o que todos querem ser pra si. Mas a paixão ainda não calou-se completamente (engraçado, né?), pois sei disso quando falo e sinto tremor. Relax, girl. It´s normal.


Lorena A.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Mesmo quando.



Percalços em falso remetem-me à uma terra boa. À uma vontade esclarecida de ser gente. De permanecer calado mesmo quando o pulso é inflado. Mesmo quando se negligencia o coração.











Lorena A.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Ecos del amor




AMOR eco... eco eco...

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Onde menos se espera, no hoje.

Fiquei de embarcar no próximo avião, mas não pude, pois tive que esperar alguém ir antes de mim. O oceano continua lá juntamente com as palavras ditas e as que não foram ditas, esperando a oportunidade de se fazerem válidas e de virem junto com aquela fumacinha saindo da boca. É estranho, mas ao mesmo tempo é o meu ânimo. Se todos os dias não amanhecessem iguais, eu talvez não seria da mesma forma.

Sigo o meu passo, um certo desalinho. Flores que invadem a minha cabeça durante o dia, eu já consigo guardá-las até o final da noite, pra garantir um despertar absorto de idéias abomináveis e imprevisíveis. E tudo aquilo sempre faz sentido quando eu paro pra escutar.

Dia desses me perguntaram se eu ainda sabia amar, eu disse que não. O que aprendi foi a derramar aqueles sonhos tirados de nuvens anteriores e pessoas sem nome. Acho que até eu não tenho mais nome, pois a cada dia me livro de uma personalidade intrusa e simplesmente deixo uma determinhada conhecida familiar entrar em meu nome.

Parece insanidade, diriam os mais sãos. Mas de que provável facilidade elas me corrompem, se diante de tanta imensidão eu jamais poderia me considerar única, tendo o mundo em minhas mãos e o universo a meu favor?

Nem fico triste nem nada... Fico mais é feliz, pois escuto aquela vozinha cantando que adoro tanto no fim do filme que eu adorei tanto também. O que escrevo hoje nem pode ser poesia, mas [n]a verdade aparece aonde a gente menos espera.







Lorena A.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Nãos e sim.



_ Não, não e não.

_ Você só sabe dizer não?!

_ Sim!



[By Arianne Pirajá]

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Sordidez - Del La Gartta.

Venho do mesmo canto pedir fome.
Fome de gente, fome de junto
De laço, de estranhos nomes
E vontades conhecidas,
Sendo quase disléxica ambiguidade.

Ando nutrindo generosos jardins,
Pétalas sonoras
Ávidos azuis, rosas...
Cheiro que derrete âmagos.

Saudade pura; os lírios de fato,
São o que acontece:

Entre o glitter assoprado no céu,
Entre o vão da intensidade dos dias,
Na quentura de cítricas cores
enquadradas...

E sim!
No chão das horas,
Um diálogo entre um amor - que acontece.






Lorena A.

domingo, 11 de janeiro de 2009



Como ama médio?!
Tipo, ama eu e LOUCA.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Let´s Go.

Penso que tudo isso vai mudar como me diria qualquer um falso prenúncio. A integridade permanece intacta e eu médio leve. Deixo-me levar então por pensamentos vazios sem um destino certo. Sem uma pessoa certa. Assim como se nenhum fizesse sentido e eu menos ainda. Estranho. Muito estranho considerando todo o projeto de trás. O que já foi perde o sentido. Junto com aquela minha vontade de ser dupla, de andar em dois, de pedir que fique. Dura dois três dias, mas depois esquece. Inconstância? Não. Falta de inocência. Mas muita coerência. Racionalidade. Que não têm me levado a lugar nenhum. Vamo?






Lorena A.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Às vezes, à noite.

A noite nem sempre acaba, mas dela não saio ilesa. É tanta ideia junta que a mise-in-scenè da vida me deixa tonta. O ventilador percorre cada centímetro-pêlo, pensando, pensando... junto com a vontade de acordar cedo e levantar mais tarde. Wake up... waking life. Escuto o tempo todo. O som do martelo é diamante no ouvido e eu fico cansada com isso. A língua não quer mais falar português, nem o ouvido sentir grunidos assim. Não penso em outra coisa. Sei que é inerente do ser humano esse tal de medo. Mas não gosto quando ele me domina assim.

Aí todo mundo vai embora. E eu continuo aqui. Meu amigo Osho diz que é assim mesmo, que busquem a solitude os que forem inteligentes e sigam seguindo a vida. Muito fácil ler, muito mais ainda compreender. Acho que já senti isso, já até escrevi sobre isso. Nem é tão fardo, mas quando se percebe que o frio de antes acabou e que a busca do agora é por outro frio, fico parada. Ilesa, lesa, macabra. Cheia de dúvidas e de macacos-fardos. Pesados feito elefantes brancos no abismo imenso. Pulando de neurônio em neurônio na minha cabeça que eu tenho até que parar. Pois o saculejo é grande.

Como destruir tanta magnitude, se quando o que se deseja são as grandiosidades?
Como ser tolice ao ponto de admitir a estupidez do teu silêncio ao invés de relevar a minha estupidez e elevá-la ao ponto máximo de sanidade sonora?
Nem sei nada disso. Só quero mostrar isso tudo pra alguém e me sentir uma rosa. Perceber que a fatalidade é máscula e que a culpa, é sua.











Lorena A.

domingo, 4 de janeiro de 2009



Penso em atravessar o oceano.
Ainda não sei como, se de barco ou de avião.
Pena não saber nada[r].





Lorena A.

Reescrever-te o dia.


Por estes ecos loucos
e soltos
Enturmecidos em bordão
Chamo-te em meu nome:
À imensidão.
Por estes dias fardos
Em arrastar de horas
Por entre outros laços,
desacatos;
Pura estupidez.
Me calo
E o faço calar...
Doce é o semblante desses dias
[os que estão por vir]
Quando se queima
em espera
Quando se tem o mar como abismo
Refletindo o seguinte:
Por este instante,
permito.
Porque destes roucos lírios
de ser
Sou eu
E por ser você...
A fingidez do dia
A máscara que me corrompe
Por simples em mente
Vendo em você,
o amor.





Lorena A.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Makes me.



Me faço inatingível
inaudível
pra que um santo sacrilégio consiga me alcançar.

Feito música num ouvido
surdo
Algo que teima em pulsar.

Na coragem, contratempo
nas mãos a ampulheta...
tormenta.

A vontade acelerada

voando pelas nuvens
voando pelos mundos

Giz de vida
riscando o céu.

Entardecer no que se acha realidade
A vida que no presente anseia
Que presenteia
Nutrindo um ego-eu

com força
com garra
com armas
com amor.








Lorena A.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Neste espaço aonde não tenho lugar.

Quando abri aquela página, percebi que o que eu havia visto inicialmente se tratava de um mero fragmento. Típico de pessoas aguniadas, que vivem tudo com uma certa pressa de não saber de onde vem, nem para aonde vão. Tudo bem, não me puno por isso nem considero suas palavras como vãs. Apenas as ouço com a doçura de mim e acredito no mesmo que você acredita.
Chato é ter que esperar pra ir te ver. O oceano todinho conpilou e afastou você de mim. Mas o ar, essência maior do meu eu, disse que a calma é projetada no encontro, pois o futuro, ao contrário do que mentalizam outras pessoas, já existe, e o agora é só a espera por ele.
Viva o absurdo das horas!
Cúmplices de um ser feminino.
Fatalidade não há no meu existir, só permanecem os fatos, e claro, um vivendo amor, então.




Lorena A.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Dezembro.

Queria poder escrever todo dia, mas o todo dia aí demora, aqui demora e assim o tempo pára. Tendo todo ele pouco pra pensar e pouco espaço pra agir. A vida urge e teima em surgir. É tanta dança que pulsa nas veias por debaixo da pele, por debaixo da roupa. Tudo fere. Feito lança em horas que passam voando direto do ser de dentro. Do ser em chamas sendo o desejo que entorta cálido o teu amor em mim.







Lorena A.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008



"Quem as suas lágrimas canta,
Quando acaso as canta bem
Não canta só suas mágoas,
Canta as de todos também".



Trova, de Mário Quintana.

sábado, 20 de dezembro de 2008

Reverie



Vou parar pra escrever.
Tá, tudo bem.
Escrever o quê, então?
Sobre você, sobre eu, sobre o mundo?
Sobram letras e falta criatividade.
Falta vontade de esmiuçar sobre essas verdades capitais
Que eu tanto teimo em enxergar.
Que eu tanto teimo em vesti-las com tuas falsas verdades.
Prefiro falar sobre o vão.
Sobre aquele que não tem origem,
Não se sabe de onde veio,
Nem pra onde vai.
Assim não se comete erros,
Não se diz atrocidades,
Não se equivoca.

Cheio de nãos também...
Desta forma preencho essa página.
Encho de lágrimas a vastidão.
A soturna e vazia lápide de um ser.
Um ser azul turqueza ou turmalina.
Mesmo preferendo ser rosa.
Mesmo não importando o que sai da boca ou do...
Ops,
Do outro lado de lá.
Aí do seu lado,
Interlocutor.
Que pra mim mais parece um abismo...
Nebuloso e rouco,
Onde repousam os meus mais sórdidos sonhos.
Onde cavalguei nos teus mais tórridos pesadelos
Que em fonte de prazer
Transformam-se em luxo, superficialidade.
Embrulho.
Mas no meu estômago
E no meu âmago.
Soco de vida e de amor.
Sopro de atitude e disposição.
Ser.
Não sei não ser mais.
E só.













Lorena A.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

How to desappear completely.



A vida se integra de vários caminhos, caminhos e certezas e dúvidas andam presentes no vão dos dias, no chão das horas, nas vontades de outrora.
Por saber disso tudo, caiu no desejo da realidade, na doce e linda canção. O que o olho diz, mas que a boca, não ousa dizer.

Espero.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

iluminado


Não dá. Não dá pra parar assim no meio da coisa. É tanto ímpeto que derrama. Mas como fazer ce uma certa vez eu li em alguma porta de banheiro que pior do que a própria ira, alimentá-la, é ter o seu prazer. De senti-la. Asssim como um prazer carnal, pois deve vir de mim mesmo, pois se fosse de outro lugar, certamente não seria assim.
Boicotes, vontades ao contrário, vontades ao passado. A tudo que dizia respeito do antes. Mas também passou, pois nessas sensações impera o medo do velho, prefiro o pânico, pois dentro desse existe um mar de possibilidades. Ilusórias ou não. Sendo eu ou não. Sendo tudo ao mesmo tempo.

O iluminado é sempre um iluminado. Por mais que a escuridão não o considere, a luz sempre prevalecerá.




Lorena A.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Perfeito eu.

Sem pressa. O sol não desfez a nuvem completamente. O momento da parcimônia é presente e eu não tendo a me apressar. Noivar com o baixo, o sereno, o trânsito leve. Com um pouco de submissão ao tempo, que tanto insiste em rompar. Mas nada dissso hoje, pois o amanhã é aguardo e eu cérebro. Celebro. A todo instante. A vontade é múltipla e eu me faço instante. Assim mesmo, instante. Como um vazio imenso... imerso no meu existir, nas minhas palavras-falas... expressões. Em cada dia que amanhece meio nublado, ou com aquele sol escaldante que me deixa mais tórrida. Menos sucumbida aos teus caprichos... Mais ainda apaixonada por mim mesma. Um verdadeiro e perfeito eu.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O passeio pelos quatro portões.

"Um dia, saindo pelo portão oriental do palácio, pretendendo fazer um passeio agradável, o jovem Siddartha confrontou-se com a figura de um homem idoso. Saindo pelo portão sul, em outra ocasião, ele viu uma pessoa doente. Então, quando saiu pelo portão ocidental, encontrou um cadáver. Finalmente, saindo pelo portão norte, encontrou um homem que havia abraçado a vida religiosa e estava engajado na prática de uma maneira digna. Profundamente comovido, imediatamente resolveu deixar seu palácio, e ele próprio segiu o mesmo modo de vida!"


[O passeio pelos quatro portões]. A história de como Sakyamuni veio a renunciar sua vida secular.

domingo, 30 de novembro de 2008

Conversas não em vão e sem fim.

- Lorys, porquê o mar não se apaixona por uma lagoa?

- Porque a lagoa é limitada. Presa. Pequena.
O mar é imensidao... grandeza.
E não se apaixona porque ele casou com a imensidão do céu...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Luz de cisne.

"E esse lance de hulmidade eu acho super bacana". Ia escrever um mas aqui, mas não cabe. É tanta não-passividade que eu choro. É por demais imenso, por demais gigantescamente valioso, imerso dentro de cada um. Basta saber ouví-la e simplesmente deixá-la fluir. Não é tão fácil assim, pois ao contrário do que se imagina, esta não o vai fazer sentir-se mal ou pequeno ou maltratado. Muito pelo contrário. Assim que a detectar e der-lhe vazão sua cara vai mudar, que o diga o seu coração!
Post rouco, tentativa de mudança. O dia começa logo cedo ao contrário de muitos outros dias atrás. O sono anda melhorando... as caminhadas têm sido múltiplas. Adoro! Sinto uma vontade imensa de flutuar pela ponte só pra poder contemplar os cisnes nadando embaixo dela. Sinto falta. Antes me pareciam meio sujinhos. Hoje, complementam a caixa de lembranças guardadas por mim, daquele lugar. Mas é bonito sim e é por isso que até hoje sinto falta. Mas sei que cisnes mais gelados me esperam. Lá naquele outro lugar que eu vi [no sonho] e que me chamaram pra morar junto. É tudo um não risco tão grande que eu me tremo. Me estreito em espera.





É melhor ser médio iluminado do que não saber o que é luz. (by arianne pirajá).







Lorena A.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cada dia.


Cada dia mais centrada
Cada dia menos parada

Cada dia mais detalhe
Cada dia menos vontade

Cada dia, um dia a menos
Ao menos vivendo
No mais e mais...

Cada dia por dia
Cada dia menos vão
Em cada dia, imensidão.






Lorena A.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008



Plena é a felicidade de quem sabe esperar.

domingo, 16 de novembro de 2008

Milonga del amor.

Falo, não o calo. É como se o falar pudesse esvaziar o latejo no coração. Meio capenga ele está, mas de qualquer forma ainda resiste, cheio de arranhões e perfurações. Mas não menos ama-dor.
Escuto os discos, leio os livros e perco a vida. Por semanas ele permanece calado, mas por outras alguém vira e diz: "como estás falante hoje!". E é isso mesmo é a minha vontade de querer sair de mim.
Sair de mim pra entrar no avesso, no cabeça-pra-baixo e aonde quer que você esteja. Entrar no querer... aonde você queira.
Deixar o raciocínio cair na armadilha dos sentidos e pecar algumas semanas por isso.

É só o que se quer.






Lorena A.


sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Vermelho-veneno.

E por quão tarde ardi-me por sentir-te dentro de mim! Aquele momento cálido, revestido de uma moldura nada pura ou leve, me trouxe arrependimentos amargos. Mas acho que prazer maior na vida nunca senti.

Vesti-me aquela noite sabendo inconscientemente que haveria o devorar-te. Bom, nada demais se na minha condição houvesse a solteirice plena, banalizada e erotizada por desejos remotos de mulheres do passado, em viver uma liberdade feminina completa, não imaginando nunca que seus reflexos poderiam de alguma forma atingir os meus milhares de neurônios - e por diversas vezes hormônios - confusos e desordenados.

Saí sem ele. A noite era minha. No máximo também se extenderia a cúmplice que comigo carreguei, pois mesmo antes de saber que algum ato fálico, ou melhor, falho, pudesse vir a acontecer, ela teria que existir e permanecer na sua condição de guardar qualquer que fossem os frames por mim editados e estrelados naquela noite.

Quente pra variar, saí com aquele vestido mais-que-provocante. Um verdadeiro atentando ao pudor em versão da moda, coisa que todo homem deseja ver uma mulher usando só pra poder ter o prazer de tirá-lo, depois. Não foi propósito meu, confesso; mas o fogo já ardia a algum tempo. Aquele telefonema há muito tempo estava sendo esperado. O ok, o sinal verde, a flâmula branca, a rendição da carne.

Chamariam-me de adúltera, de prostituta, promíscua e todos esses nomes bonitos que a sociedade convencionou pra que pudessem uma forma de humilhar-me diante do meu ato. Sei bem o que fiz, o difícil de cair junto com a ficha, é a idéia que o ato foi uma repetição de muitos e muitos outros atos-gêmeos que estarão por vir. No presente ausente do futuro eles já estão todos prontos, concebidos. Meu desejo proclama isso e eu infelizmente não posso deixar de ouvir. Nada pessoal, mas o tênue fio da confiança essa noite foi corroído e corrompeu-se diante do intenso vemelho-veneno da traição.





Lorena A.

Prêmio Dardos.

"Reconhecer os valores que cada blogueiro mostra a cada dia, seu empenho por transmitir valores culturais, éticos, literários, pessoais, etc. Em suma demonstram sua criatividade através do pensamento vivo que está e permanece intacto entre suas letras, entre suas palavras..."



* Regras a cumprir:
1 - Aceitar exibir a imagem e cumprir as regras;
2 - Linkar o blog do qual recebeu o prêmio;
3 - Escolher quinze blogs pra repassar o Prêmio Dardos.



Quinze Blogs é difícil... mas vô tentar!


1. A desjanela dela.
2. Alecrim e o sufoco atmosférico.
3. Kit Básico da mulher moderna.
4. Bromelianus Cubenses.
5. Retalhos sem tempo.
6. 23/03.
7. Vetor Existencial.
8. Intacta retina.
9. Farinhada.
10. Dadagaio.
11. Batumaré.
12. Merda pouca é bobagem.
13. Apenas um peregrino.
14. Lampião Pobricitário.
15. Morrer de rir.

Pronto?! Consegui...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Mais uma dose.

A loiraça entra no bar, senta no balcão e pede uma bebida.
- O que vai querer, moça? - interfere o garçom.
- Uma dose de ilusão, por favor.




Lorena A.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Koan

"O luar entranha-se nas profundezas do lago sem deixar marcas na água..."

quinta-feira, 6 de novembro de 2008



Vende-se desculpas esfarrapadas.

terça-feira, 4 de novembro de 2008



Tudo que vejo à frente do meu dia chama-se amor.

domingo, 2 de novembro de 2008

Propagação do Zen.

"Grande é a mente! A Altura do Céu é imensurável, mas a Mente vai além dele: as profundezas da Terra são também insondáveis, mas a Mente as sobrepassa. A velocidade da Luz não pode ser vencida, mas a Mente é mais veloz que ela. O Macrocosmo é infinito, mas a Mente vai além dele. Como é imenso o Espaço! Como é imensa a Energia Primordial! Apesar disso, a mente abrange o Espaço e gera a Energia Primária. Por causa dela (a Mente) o Céu cobre e a Terra sustenta. Por causa dela o Sol e a Lua se movem, as quatro estações ocorrem em sucessão e todas as coisas são geradas. Grande, na verdade, é a Mente!"

Propagação do Zen para a Proteção do País. Kozen Gokuku Ron.

scraps.


Trimera Casa de Letras.

Blogueiros do Piauí.